Gleidson Azevedo detalha primeiras demandas da nova administração

Recém-empossado, prefeito encara comércio fechado e estragos provocados pelas chuvas

Matheus Augusto

O novo prefeito Gleidson Azevedo (PSC) começou a segunda-feira com três reuniões: representantes do comércio, do transporte coletivo e vereadores. Os dois primeiros encontros foram relativos à covid-19, já a terceira para tratar da primeira proposta legislativa do governo: reduzir o aumento de taxas. O chefe do Executivo ainda conversou com seus secretários, dentre eles o de Secretário Municipal de Operações, Serviços Urbanos e Agronegócio (Semsur), Gustavo Mendes, sobre os impactos das chuvas na cidade e as ações de reparação. As melhorias, porém, devem demorar um pouco, afirmou.

Trabalho

Gleidson afirmou ao Agora que, mesmo antes de ser empossado, já trabalhava nos bastidores e, desde então, as demandas apenas aumentaram. Ele citou, por exemplo, as reuniões de ontem, o vendaval responsável pela queda de árvores na cidade e a ação de acompanhar os leitos do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD).

Sobre uma das principais pautas da primeira semana, a onda vermelha em que Divinópolis se encontra no Minas Consciente, ele explicou ter conversado com seu corpo jurídico para avaliar o “que podia ser feito”. Segundo ele, “hoje a legalidade me colocou para cumprir o decreto e eu vou cumprir”.

— Às vezes, dá a entender que fui eu quem fiz esse decreto. Foi o Galileu. Ele optou por colocar Divinópolis na onda vermelha, sendo que poderia estar na amarela. Como prefeito, eu não posso quebrar esse decreto — explicou.

Ele aguarda agora a nova avaliação do Estado e promete: “Se Divinópolis permanecer na onda amarela, a gente vai voltar para ela e reabrir o comércio”.

Abertura

Como mostrou reportagem do Agora na manhã de ontem, determinados estabelecimentos, mesmo sem autorização, insistiram em abrir. Para disfarçar, as portas eram erguidas apenas até a metade e, internamente, os trabalhos eram executados normalmente. O prefeito repudiou a atitude.

— Eu sou a favor do comércio aberto, mas sempre resguardando as vidas. Mas, dessa forma, o empresário agindo assim, perde a credibilidade — afirmou.

Gleidson ainda destacou a autonomia de os fiscais, por meio de denúncias, vistoriarem possíveis irregularidades contra as medidas da onda vermelha.

Covid

“A pandemia ainda não acabou.” Com o compromisso de dar transparência à população, Gleidson pediu aos moradores respeito às normas de prevenção.

— Às vezes, a população acha que está tudo normal, mas não está. A gente tem que ter consciência disso. a pandemia ainda não acabou. Se a população, a partir de hoje ‒ já tinha que ter acontecido isso antes ‒, não tiver essa conscientização de ter o equilíbrio de continuar a vida normal com um olhar mais humano com o próximo, a gente pode voltar para a onda amarela em quatro, cinco dias, mas daqui 10, 15 dias, voltar para a onda vermelha — ressaltou.

E complementou:

— Eu peço de coração a você divinopolitano que você tenha essa consciência. Quando for sair use máscara, use álcool em gel, mantenha o distanciamento social. A gente precisa aprender a conviver com o vírus para voltar ao normal — destacou.

A situação, comentou o novo prefeito, “é preocupante”. Por isso, uma de suas principais prioridades nos primeiros dias oficialmente à frente do Executivo é nomear os novos integrantes do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus “para podermos fazer o comércio funcionar em conformidade com as normas do Minas Consciente”.

Chuvas fortes

Com as fortes chuvas do fim de semana, diversas partes da cidade sofreram danos: árvores caídas, fios arrebentados e mais buracos. Segundo Gleidson, parte dos reparos só poderá ser realizada durante o período de seca.

— Meu secretário de Serviços Urbanos [Gustavo Mendes] falou que vai precisar de 15 dias para levar essa essa limpeza do vendaval das árvores. (...) até fevereiro, vocês [moradores] possivelmente vão continuar com buracos dentro de Divinópolis porque eu vou valorizar cada centavo. Se eu autorizar tapar buraco agora, com chuva, não vai adiantar nada. Então, ele [secretário] me pediu para, passando as chuvas, começar a operação — explicou.

Dinheiro [fora] do caixa

O ex-prefeito, Galileu Machado (MDB), prometeu deixar dinheiro em caixa, mas, segundo Gleidson, é “mentira”.

— Os R$ 40 milhões são obras que ele iniciou e não terminou. Se tiver esse dinheiro para poder terminar eu vou terminar. Não vou ser como outros prefeitos que começam e não terminam. Mas dinheiro em caixa na Prefeitura não tem — detalhou.

Apesar disso, sua avaliação é de um caixa estável na Prefeitura.

Ele ainda desmentiu a informação de que a folha de janeiro já estava paga.

— O funcionário público ainda não recebeu o mês de janeiro. A gente vai trabalhar, fazer esse choque de gestão dentro da Prefeitura. (...) Estamos analisando com a Secretaria de Fazenda, mas tenho certeza que, neste mês de janeiro, vai ser pago em dia — espera o prefeito.

Há quatro dias no cargo, ele compartilhou seu primeiro feito para reduzir os gastos público:

— A gente conseguiu diminuir mais de 100 cargos comissionados. A gente passou de 223 para 123 cargos, sendo que 80/90 são servidores públicos — comentou.

Paciência

Por fim, Gleidson Azevedo voltou a pedir paciência ao divinopolitano.

— Quero pedir ao divinopolitano que tenha calma. Nunca na história de Divinópolis um prefeito entrou com tanta pressão igual eu estou entrando. Até pela situação da pandemia e por pegar uma cidade abandonada há mais de 24 anos. O que posso pedir ao divinopolitano é calma. Vocês podem ter certeza que a responsabilidade agora é minha e não vai faltar trabalho nesses próximos quatro anos para colocarmos Divinópolis onde ela sempre mereceu, em destaque na região — finalizou.

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