Georreferenciamento

Georreferenciamento

A Câmara foi, novamente, dominada por discursos sobre o georreferenciamento, ferramenta que atualiza possíveis diferenças entre o tamanho do terreno lançando do IPTU e a área de fato construída. O vereador Israel da Farmácia, por exemplo, solicitou uma reunião com o Executivo para esclarecimentos sobre os efeitos práticos da mudança. “O momento de aumentar o IPTU não é este. Estamos saindo de uma pandemia”, entende Israel. Ademir Silva (MDB), crítico da atual gestão, também não poupou críticas ao possível aumento do imposto: “Divinópolis acontece de tudo, até cobrar IPTU de casinha de cachorro”. Por outro lado, Eduardo Azevedo (PSC) defendeu o governo e acusou opositores de usar o tema para “politicagem”. “A atual gestão está simplesmente executando uma lei aprovada no governo passado”, argumentou. Líder do governo no Legislativo, Edsom Sousa (Cidadania), também defendeu o governo de “falsas acusações”: “É uma guerra maldosa contra o prefeito Gleidson e vice Janete”, citou, destacando que o projeto foi aprovado no governo de Galileu Machado (MDB).

 

Desigualdade de cada dia

A barbárie não nos estarrece mais. A tragédia se tornou causalidade diante dos nossos olhos. O que deveria incomodar, acomodou-se. A pandemia se tornou justificativa para tudo de ruim, quando, na verdade, apenas agravou problemas já existentes antes mesmo do paciente zero. Enquanto alguns planejam a ceia de Natal, outros não sabem nem quantas refeições conseguirão fazer no dia. Enquanto uns fazem os cálculos para uma viagem de ano novo ou vislumbram o melhor investimento em criptomoeda, outros precisam criar novas teorias matemáticas para conseguir chegar ao fim dos mês com todas as contas no mês. Nos acostumamos com a desigualdade social. É possível, claro, criticar todos os governos de todas as esferas pela falta de políticas públicas eficientes a curto, médio e longo prazo que criassem uma distribuição de renda saudável e autossuficiente. Até o momento, sempre que se fala em economia na esfera dos poderes, o interesse é sempre o mesmo: criar incentivos fiscais aos empreendedores. Os benefícios existem, não tenho dúvida. Mas, numa observação mais profunda, enquanto políticos imprimem folhas e mais folhas de projetos em prol dos empresários, há uma carência de assistência social, inclusive por falta de recursos orçamentários. Estamos vivendo individualmente em sociedade. Vemos dia após dia o número de pessoas que carece de dignidade humana crescer, vivendo em condições precárias. Por quê? Dinheiro não falta, os próprios políticos defendem isso. 

 

É preciso mudar

Cada vez mais vamos nos isolando em nossos muros físicos e virtuais. Usamos óculos escuros ou fechamos os olhos para evitar encarar a realidade como ela é. Gostamos de selfies e espelhos porque nos mostram apenas nosso rosto e realidade: a do conforto. Pois é isso que viver está se tornando, um conforto. O que antes era lazer hoje é luxo. O dólar sobe, a inflação ataca, a carne vira osso e osso vira refeição. Enquanto não aceitarmos nossa responsabilidade política de agentes de transformação, responsáveis não apenas por nós, nossa classe e interesse pessoal, continuaremos a desviar o olhar dos males que afligem o povo, o nosso povo. Vamos dar de ombros, revirar os olhos e culpar o poder público, o partido adversário ou um efeito adverso, como a pandemia. Uma hora, felizmente, ela acabará, e precisamos voltar a revezar as justificativas. Com ou sem pandemia, ninguém deveria passar fome, escolher pagar a água ou a luz. Precisamos parar de achar que estamos todos no mesmo barco. Não estamos.

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