Gentileza urbana

Augusto Fidelis

 

O jornal O Globo, na edição do último domingo, com o título “Fiscal da natureza”, destacou a ação de moradores e porteiros de vários edifícios do Rio de Janeiro, que de regador em punho se esforçam para manter canteiros da cidade sempre verdes. “Eles são uma espécie de irmandade que cresce à sombra das árvores encontradas pelas ruas do Rio. O objetivo comum é tornar a cidade mais verde e florida”, salientou.

Matérias assim sempre aparecem num canto de página, sufocadas pelo noticiário político e criminal, sem o merecido destaque. Como se vê, em todas as partes do Brasil há pessoas do bem, empenhadas no desenvolvimento de suas comunidades, no respeito à natureza, no amor ao próximo. O número de pessoas assim é muito maior aos que praticam coisas ilícitas,  mas que não aparece,  justamente por estar absorto na busca do bem comum.

Também em Divinópolis há bons exemplos, que podem ser ampliados muito mais se estabelecida uma rede de transmissão dessas iniciativas, através da mídia, das reuniões comunitárias, da escola, das igrejas, das conversas em família, no boteco, enfim, onde quer que reúnam pessoas para conversar. O ser humano é o único animal que fala, por isso deve usar essa faculdade para melhorar o meio em que se encontra.

Em nossas ruas centrais há uma indústria de distribuição de panfletos. Os transeuntes, que os recebem, não têm a gentileza de procurar uma lixeira para depositá-los, até porque são muito escassas. Jogam-nos em qualquer lugar e, com isso, nem os garis dão conta de tanta sujeira. Seria ótimo se as clínicas dentárias e outras instituições que se utilizam de tal recurso contribuíssem com o município na colocação de lixeiras.

Moradores que residem em torno das praças dariam enorme contribuição à cidade se, pelo menos de vez em quando, aguassem as plantas, principalmente nessa época de escassez de chuva. A natureza é pródiga em oferecer-nos seus dons, daí a necessidade de retribuí-la, ainda que com pequenos gestos, cuja somatória faria enorme diferença no balanço final.

A gentileza urbana pode ir muito além de cuidar de um canteiro, de um jardim, de uma praça. Cumprimentar as pessoas, ceder lugar no ônibus para idosos ou mães com crianças no colo, pedir desculpas nos esbarrões ocasionais, dar informações corretas, atender com atenção quem entra nas lojas comerciais, tudo isso torna a cidade muito melhor para se viver. Embora pareça que tudo está perdido, a boa ação de um pode influenciar a outros. Mas é preciso começar.

 

 

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