Gasolina representa o maior impacto individual na inflação, diz especialista

No entanto, abastecer com o combustível é mais vantajoso em Divinópolis, mesmo o litro custando quase R$ 6

Da Redação 

Depois de seguidos aumentos somente no primeiro trimestre, a Petrobras reduziu o preço dos combustíveis, por três vezes, nos últimos dois meses. E nesse sobe e desce de preços, período em que o valor maior chegou bater os R$ 6 em alguns postos em Divinópolis, os custos voltaram se estabilizar na média de R$5,78. Já o litro do etanol teve uma pequena queda e vem se firmando em média a R$ 4,08 na cidade.  

Compensação

E com a circulação de carros flex no mercado, a opção para alguns consumidores ficou mais viável. E é explicada numa simples equação, na qual basta dividir o preço do litro do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for inferior a 0,7, o derivado da cana-de-açúcar é o melhor para abastecer. Se for maior que 0,7, então a gasolina é melhor. Seguindo essa máxima, com os preços atuais praticados em Divinópolis, abastecer com a gasolina leva vantagem em relação ao etanol.

— Atualmente, aqui na cidade, a gasolina é a melhor opção. Na ponta do lápis, o combustível leva vantagem, pelo menos para mim. Mas, como viajo muito, estou sempre refazendo as contas para que no fim de mês sobre algum trocado — diz o representante comercial Juarez Oliveira.

O consumidor tem que ficar esperto e de olho nos preços praticados na cidade, alerta um ex-proprietário de posto de combustível.

— Como o mercado é livre, cada bandeira pratica sua estratégia de preços. Assim, cabe ao consumidor praticar a velha e conhecida pesquisa de preços e valendo-se, se possível, da fidelidade com seus fornecedores — avalia Alvimar Mourão.

O proprietário de uma rede de postos na cidade, Adriano Jésus dos Santos, explica que a partir de 1º de maio começa a safra anual da cana-de-açúcar, aumentando, assim, a oferta. 

— Com a moagem da cana e o maior volume no mercado, o preço do etanol volta a ser mais competitivo em relação à gasolina. E esperamos que o fato possa também influenciar na queda do preço da gasolina — acredita o empresário.

Inflação

Segundo o professor universitário e especialista em em controladoria financeira Wagner Almeida, o ano de 2021 vem sendo marcado pelos aumentos sucessivos no preço dos combustíveis, fato que tem contribuído para a alta da inflação (0,93% em março) e pesado no bolso dos consumidores. Ainda de acordo com ele, de fevereiro para março deste ano, a gasolina representou mais uma vez o maior impacto individual na inflação, com alta de 11,26%. Até o momento, conforme o professor, a Petrobras já anunciou pela sexta vez aumentos no preço da gasolina e a quinta variação no preço do diesel.

O professor explica ainda que, de janeiro a março de 2021, a gasolina teve seu preço elevado em 54%, e o diesel em 41,6%. A justificativa da Petrobras para esses aumentos, segundo ele, é que o repasse dos preços é feito a partir das variações do mercado internacional e a valorização do preço do barril, o chamado Preço de Paridade de Importação (PPI).  

— Há de se considerar que o Brasil é um produtor de petróleo e com uma estatal para sua exploração, o que em tese, permitiria uma maior flexibilidade em relação à política de preços. No entanto, a crítica que se faz aqui é que esta política mantida pelo atual governo, no qual os combustíveis são reajustados pela variação do mercado global tende a favorecer mais os acionistas da Petrobras do que os que dependem do transporte rodoviário — completa. 

Redução 

Para o mês de abril, conforme o especialista, espera-se uma desaceleração no preço da gasolina em decorrência dos reajustes promovidos pela Petrobras no fim de março. Com isso, haverá um impacto nos combustíveis no IPCA de abril.

— Qualquer aumento no preço do combustível acaba afetando a vida de todos que precisam abastecer, pois o aumento nos combustíveis é transferido para o custo do transporte, o que gera um impacto imediato nos transportes coletivos, táxis, aplicativos e quem trabalha com entregas. Além disso, com a alta nos preços os consumidores tendem a encher menos o tanque e buscam outras alternativas para economizar e não tirar o carro da garagem — sintetiza o professor Wagner.

 

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