Gasoduto vem com duas estações para Divinópolis

Projeto de R$ 300 milhões está pronto e tem previsão para ser implantado; ligação é entre Betim e Ermida

Gisele Souto 

A rota mudou, o traçado diminuiu e o dinheiro da Vale entrou. Fatores determinantes para, enfim, o projeto do gasoduto, ao qual o Agora teve acesso em primeira mão, sair do forno já com prazo para execução e valor a ser investido. A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) ‒ que atualmente já opera a linha de Campos no Rio de Janeiro, em duas regiões de Minas Gerais e Betim, na grande Belo Horizonte ‒ vai também gerir a expansão do gasoduto que contempla Divinópolis e outras cidades no percurso de Betim a  Ermida ‒ antes distrito, agora bairro ‒, último ponto da linha na região Centro-Oeste. O antigo projeto, iniciado em 2014, contemplava o Alto Paranaíba e o Triângulo Mineiro. Entretanto, mudanças de governos, discordâncias e impedimentos financeiros fizeram com que ele fosse deixado de lado. Já em 2019, uma nova discussão sobre o assunto foi desencadeada sob a liderança do prefeito de Carmo do Cajuru, Edson Vilela (PSB), que, com o apoio da Agência de Desenvolvimento do Vale Pará/GEEC e de Carlos Eduardo Orsini, que já atuou na Gasmig, fez com que o projeto ressurgisse com um novo formato e, dessa vez, se tornasse realidade. 

O atual 

O gasoduto em pleno funcionamento vem da Bacia de Campos no Rio de Janeiro e atende a Zona da Mata, passando pelos municípios de Juiz de Fora e Barbacena. Contempla ainda o Vale do Aço, que abriga municípios importantes, como Ipatinga. De lá segue até Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde abastece a empresa de fundição Tekcid, maior fabricante de peças para a Fiat Automóveis. É de lá que a linha chegará a Divinópolis para abastecer indústrias, residências e veículos. 

Trajeto 

De Betim até Ermida, onde haverá uma estação, a ligação passa por outros municípios. São eles: Mateus Leme, Igaratinga, Itaúna, Carmo do Cajuru e São Gonçalo do Pará, na subestação da Cemig. O percurso será feito em linha reta, não pela rodovia, como no atual modelo, por questões econômicas. Com o novo traçado, passará por propriedades rurais, cruzando as rodovias 262 e 494, com o devido conhecimento e indenização dos proprietários. 

Distribuição 

Como o gasoduto principal não entra na zona urbana dos municípios, a distribuição será feita por meio de estações, chamadas de city gates. Num total de quatro, a primeira delas será em São José dos Salgados – polo industrial de Carmo do Cajuru ‒, duas em Divinópolis – próximas ao Carrão, MG-050 ‒, e outra em Ermida. Os pontos de distribuição na cidade atenderão o Centro Industrial e as regiões Nordeste e Leste do município. Em Ermida, dará suporte às regiões Oeste, Sudoeste e Central. No período de dois anos, que é o prazo previsto para o fim da obra, serão comprados pela Gasmig nove caminhões especiais que transportarão o produto comprimido para a devida distribuição.  

Enquanto isso, há um movimento liderado pelo mesmo grupo que viabilizou o projeto, junto à Gasmig, para que ela comece a distribuição do gás com os seus atuais caminhões até que o gasoduto esteja pronto para entrega do produto. 

Quando isso ocorrer, as prioridades, conforme as fontes, são a Gerdau e o Centro Industrial. 

Economia 

A implantação do gasoduto vai beneficiar não somente as indústrias, como também a população, que terá acesso ao gás de cozinha, e outro braço industrial que utiliza o veicular. A retomada do projeto, segundo fontes que revelaram as informações ao Agora, só foi possível em função da nova lei do monopólio estatal que engatou na Petrobras. Vale ressaltar que o custo nas indústrias com o uso do gás pode ser 40% mais barato do que quando se utiliza energia. 

No entanto, o benefício ainda deixa a desejar quando se trata de Brasil. São apenas nove mil quilômetros de gasoduto, enquanto na Argentina, país muito menor, são 30 mil. Nos Estados Unidos, o número salta para 450 mil quilômetros, por isso, os países do mundo que utilizam o método conseguem vender produtos industriais muito mais baratos.

Investimento 

Os recursos serão próprios da Gasmig e parte vem do acordo feito entre o Estado e a mineradora Vale, referentes ao desastre de Brumadinho. O investimento gira em torno de R$ 300 milhões. 

A previsão é que, em médio prazo, a linha possa prosseguir até Arcos, cidade a 94 quilômetros de Divinópolis, maior consumidora de energia da região Centro-Oeste.

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