Galileu justifica cargos comissionados e Copasa

Para o atual prefeito, promessas de campanha de alguns adversários são inviáveis

Matheus Augusto

Em busca da reeleição, o atual prefeito Galileu Machado (MDB) classifica seu período na atual gestão quase como ingovernável: assumiu a Prefeitura com dívidas, teve quase R$ 100 milhões sequestrados pelo Governo do Estado e precisou lidar com a pandemia do coronavírus. Essas são suas justificativas para a limitação da atuação do Executivo nos últimos quatro anos. 

Em entrevista ao Agora, ele detalhou seus projetos para os próximos anos e rebateu críticas.

Promessas vazias

Tema presente no discurso das candidaturas, Galileu tem um posicionamento diferente de seus adversários. Enquanto a maioria promete rever ou até mesmo buscar a quebra do contrato com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o atual prefeito vê isso como uma promessa inviável.

— Não existe a possibilidade de cancelamento. Não existe. Pelo contrato do Município com a Copasa, todo o recurso, cada centavo que a Copasa gastou em Divinópolis, pode até haver o distrato, mas a Prefeitura tem que devolver o que ela gastou. Hoje, fazendo os cálculos, mais ou menos R$ 280 milhões. Onde a Prefeitura vai arrumar R$ 280 milhões se ela custa a pagar sua folha de pagamento? — contestou.

Referente ao assunto, sobre a possibilidade de instalar uma agência responsável por regulamentar as concessões, ele também vê como improvável a proposta.

— Pelo que a gente vê hoje na Prefeitura, a gente tem uma equipe boa para lidar com as licitações. (...) Então eu creio que não há necessidade para mudar o sistema. A Prefeitura tem licitações todos os dias e nunca houve problema — defendeu.

O candidato também avalia como inviável a ideia de alguns prefeitáveis em juntar Cultura, Esporte e Turismo em apenas uma pasta. Segundo ele, essa proposta já foi implementada em anos anteriores, mas não teve o resultado esperado.

— Já teve e não deu certo. O Esporte, para recursos, precisa ser secretaria. E, nesse formato, se tornaria diretoria e não seria possível buscar recursos na área estadual e federal — detalhou.

Nunca na história

Durante a conversa, Galileu ainda destacou ter vivido um mandado “atípico” e enfrentou dificuldades para manter as contas em dia. Ano após ano, o chefe do Executivo viu o otimismo de recuperação econômica ser destruído.

— Eu peguei a Prefeitura com mais ou menos R$ 50 milhões de restos a pagar, em 2017. No ano seguinte, o governador, na época o Pimentel, reteve os recursos do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores], Fundeb, estimados em cerca de R$ 106 milhões. Veio 2019, e achamos que o Zema ia acertar a coisa, mas a Associação Mineira de Municípios [AMM] teve que levá-lo ao Tribunal de Justiça do Estado.

Com o acordo e o início do pagamento dos recursos sequestrados, a expectativa era de melhora, contou o candidato.

— Mas veio 2020, e a pandemia acabou de arrasar. É um mandado que não vai existir outro — lamentou.

Para tentar superar as adversidades financeiras, o chefe do Executivo optou por solicitar, em meados de 2019, um financiamento de R$ 40 milhões na Caixa. O aporte foi aprovado na Câmara, apesar de duras críticas de parlamentares e de setores da sociedade.  O recurso, porém, não chegou no tempo previsto. 

— Entrou 2020, a Caixa mandou nos avisar que não poderia mais financiar porque o Brasil era muito grande e o dinheiro não ia dar — contou.

A Caixa permitiria a liberação de apenas R$ 25 milhões ‒ que ainda não foram liberados. Para tentar contornar a situação, foram solicitados, também em empréstimo, R$ 15 milhões ao Banco do Brasil para complementar o montante. Esse recurso já foi liberado e está sendo investindo no asfaltamento e recapeamento das ruas.

Infraestrutura

Os governos do candidato à reeleição são marcados por obras. Para a continuidade de sua gestão e superar os problemas financeiros, ele promete, por exemplo, entregar o projeto ligando o bairro Icaraí ao Centro Industrial, indo ao Porto Seco, o encabeçamento do Complexo da Ferradura e o semianel para transporte pesado que sai do Centro Industrial em direção a São Paulo.

Ele ainda citou como conquista os recursos para investimento em infraestrutura nas regiões do Grajaú, São Simão, Terra Azul, Mar e Terra, Costa Azul, Maria Peçanha, Antonieta Fonseca e outros.

— Eu fui muito feliz porque consegui arrancar dos ministérios, em Brasília, o PAC Saneamento. São R$ 23 milhões em execução, asfaltamento, esgoto sanitário e água pluvial — contou.

Ambiente

Questionado sobre a poluição das nascentes na zona urbana, Galileu explicou que o problema é difícil de ser resolvido dada a ação de vandalismo.

— [A Prefeitura] cerca, eles invadem e arrancam a cerca. A Prefeitura não tem como conter, a não ser com a força policial para punir quem destrói a cabeceira das nascentes. (...) o pessoal que trabalha nessa área quis muito [resolver essa situação], o problema é o vandalismo — comentou.

Administração

Criticado durante seu governo por vereadores, sindicatos e outros, o atual prefeito se defendeu sobre o número atual de servidores comissionados.

— Todo mundo na campanha fala que não vai ter cargos comissionados, mas isso não existe. Cargos comissionados são as pessoas de sua confiança. Porque dentro da própria Prefeitura tem aqueles de carreira que puxam seu tapete — justificou.

Ele ainda citou o governador Romeu Zema (Novo) que, segundo ele, também prometeu reduzir o número de comissionados, mas, na prática, aumentou. Galileu, porém, disse que a composição atual de sua administração é suficiente e não pretender fazer novas nomeações.

— É impossível governar apenas com os cargos de carreira — destacou.

Eleito, ele não descartou mudanças de secretários.

 

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