Galileu!

Adriana Ferreira 

Mais um pedido de impeachment e mais uma vez apresentado pelo Vereador Edsom Sousa (CDN), que nesta mesma legislatura foi líder do governo Galileu na Câmara e também ex- colega de partido, o MDB, do qual foi expulso. Se, por um lado, houve quem acreditasse que por se tratar de ano eleitoral e as eleições estarem tão próximas, os  vereadores iriam votar pela admissibilidade do pedido, na verdade não foi o que aconteceu. Por 13 a 3, o pedido foi arquivado. Fica a dúvida no eleitor: se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), juntamente com políticos e especialistas em saúde não tivessem se reunido com o intuito de mudar as eleições para novembro ou dezembro do corrente, a votação seria a mesma? Só um sétimo pedido de impeachment mais próximo às eleições. Quem se habilita? 

Reabertura do comércio

Na Cidade do Divino, o comércio voltou a abrir todos os dias úteis, das 10h às 16h, isso para lojas.  Restaurantes podem abrir das 8h às 15h, com redução de 50% da capacidade de público e mesas com  distância de dois metros com marcação no piso, duas pessoas por mesa e toalhas trocadas a cada refeição. Tem proprietário se perguntando se vale mesmo a pena reabrir, considerando o alto custo de manutenção.  Precisei fazer umas compras e aproveitei para ver a reação. Não raras vezes vi filas, principalmente em frente a lojas de preços populares. O número de pessoas dentro delas era controlado por uma pessoa na porta. No Supermercado Rena, havia fila do lado de fora e se controlava o número de pessoas no recinto. No ABC da avenida 21 de Abril, fiquei estarrecida. O  atendente, responsável pela porta, só se preocupava em ver se tinha febre e mandar passar álcool ‒ e isso de forma automática, sem se preocupar com a lotação. No interior da loja, nenhum carrinho na reserva, todos estavam ocupados com compras. Parecia véspera de Páscoa. Imagine! Se as pessoas mantinham 50 centímetros de distância uma da outra era coisa rara de se ver. A fila para os caixas era imensa.  Na saída, ouvi um transeunte comentar com a pessoa ao seu lado: “Pelo visto só não tem “coronga” no ABC. Cadê a fiscalização?”. É mesmo! Cadê? 

Avivar

Que a Avivar é uma empresa que gera empregos e divisas, isso não se discute, mas precisa melhorar em muitas coisas: no treinamento e segurança do trabalho poderia fazer mais, pois há caso de indivíduo entrar para a empresa e menos de um mês depois ser afastado com sua capacidade laborativa comprometida e, quando retorna, é demitido sem condições de volta imediata ao mercado de trabalho. E os produtos? Será que fazem como os cafeicultores, que o melhor acaba  sendo para o mercado externo?  Linguiça de frango com pele, penas e ossos, linguiça calabresa que é pura banha, entrega de produtos a intermediário com data muito próxima ao vencimento, salsicha de péssima qualidade, no dizer do consumidor, “não serve nem para animal se alimentar”. “Coma frango! É bom e faz bem!”  A Avivar sabe disso? 

All lives matter

George Floyd e David Dorn e suas coincidências: negros, trabalhavam como seguranças, morreram no mesmo dia. A morte de um causou a de outro: George morreu asfixiado pelo policial Derek Chauvin, David morreu baleado nas costas no protesto pela morte do primeiro. Duas mortes trágicas, sem nenhuma condição de defesa das vítimas. George tinha ficha criminal. David era policial. George morreu cometendo um crime, David morreu combatendo o crime. O herói é George Floyd, que virou até nome de bolsa escolar, o esquecido é David Dorn.  Que houve truculência e uma violência sem medida na ação policial contra George Floyd no dia 25 de maio em Minneapolis, EUA, isso é inconteste. Que a morte de David Dorn também foi fruto da truculência sem medida dos saqueadores também é inconteste, mas por que  “vidas pretas importam” somente para George? Por que David não merece o mesmo reconhecimento? Por que não “TODAS as vidas importam”? Já disse o poeta John Donne no século XVI:  “Se um homem morre, eu diminuo, pois pertenço ao gênero humano”.

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