Gabinetes de rua

 

Editorial

Se tem uma coisa que boa parte dos vereadores de Divinópolis gosta – oh, se gosta – é de aparecer em rede social. Eles arrumam os mais variados temas – alguns mais nada a ver –,  todo tipo de denúncia – até infundadas –, em busca de palco. Apesar de inventarem de tudo para chamar a atenção, tem um que é o preferido: fiscalizar buraco e ir para a Prefeitura com um “pires na mão”. Sem muita técnica e muito domínio sobre o que a função de legislar exige, se limitaram aos ditos gabinetes de rua, e às pautas mamão com açúcar. No início desta semana, completou três anos do escândalo provocado por uma denúncia feita por Marcelo Máximo de Morais, ex-aliado do ex-prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB). Na época, as acusações apresentadas por Marreco – como é conhecido – colocaram fogo na política divinopolitana e mostraram que os vereadores não cumprem uma de suas mais conhecidas funções, que é fiscalizar o Executivo. 

Quem acompanhou as reportagens feitas em abril de 2018 deve se lembrar que uma das principais denúncias feitas por Marcelo Máximo foi a de que ele assumiria um cargo na Prefeitura sem que precisasse trabalhar. Tudo em troca do seu silêncio. A situação envolveu o ex-prefeito e outros membros da Administração. Ao ser trazida à tona no plenário da Câmara, a situação, além de escancarar a falta de técnica dos parlamentares para fiscalizar efetivamente o Executivo, os deixou igual “barata tonta”. Logo após as denúncias, os vereadores trataram de correr para ver quem mostrava mais serviço. Em pouco tempo, instauraram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) – que não deu em nada como tantas outras – na mera tentativa de dar satisfação à cidade, ou melhor, aos seus eleitores. Os mais amadores e apaixonados fizeram suas gravações rotineiras contra o prefeito e outros entraram até com pedidos de impeachment – que também não deram em nada. 

Foi assim, aos trancos e barrancos, que os representantes do povo, como gostam de gritar aos quatro quantos – só não o fazem – “tocaram” a legislatura passada: fiscalizando buraco, gravando vídeo, falando mal do prefeito, com muitas CPIs – que terminaram em pizza –, pedidos de impeachment, muitas visitas ao quinto andar da Prefeitura – nos bastidores – e, claro, com o pires na mão. A esperança para a atual legislatura era de que a situação mudasse. A população minimamente esperava discursos melhores, atuações com qualidade e, claro, fiscalização, afinal, eles são pagos para isso e um pouco mais. Mas o que se vê é que infelizmente Divinópolis elegeu fiscalizadores de buraco e mato alto, dadas raríssimas exceções. Em busca apenas do show, os vereadores se limitam aos chamados gabinetes de rua, que nada mais são do que a troca de obras e melhorias em seus redutos eleitorais pela vista grossa a situações que exigem técnica e competência para exercer a função para a qual foram eleitos. 

Mas, é como já ficou provado por A+B: todo povo tem o político que merece. E, se é isso que Divinópolis tem, é porque foi a escolha que fez e pela falta de cobrança e o “nem aí”, e deve estar satisfeita. Um vídeo por aqui, costuma valer mais do que uma atuação eficiente. Enquanto isso, o povo hibernado segue colhendo o que plantou. 

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