Frio aperta e população em situação de rua sofre

 

Maria Tereza Oliveira

O inverno ainda não chegou, mas Divinópolis já registra temperaturas congelantes, especialmente nas madrugadas. Enquanto muitos comemoram o clima por causa das roupas mais elegantes e as comidas típicas da estação, outras pessoas têm de lidar com o frio das ruas. Não é raro avistar pessoas dormindo nas vias da cidade, porém, segundo a Prefeitura, não é possível quantificar essa população, mas estima-se que este número passe de 150.

Em contrapartida, embora em Divinópolis sejam realizadas diversas campanhas do agasalho, poucas pessoas têm consciência delas.

O Agora foi às ruas e ouviu a população. Os entrevistados explanaram a vontade de doar agasalhos e mantas para quem está em situação de rua, entretanto, a maioria não sabe bem onde ou como fazer a doação.

Vontade

A reportagem foi às ruas perguntar a população sobre a situação das pessoas em situação de rua.

O aposentado João Elias Santos, 72, contou que, apesar de não notar no dia-a-dia a presença de pessoas em situação de rua, tem consciência desse cenário.

— Para te falar a verdade, raramente eu saio de casa, mas sempre procuro me colocar no lugar do próximo. A gente vê nos veículos de comunicação a maneira desumana como estas pessoas são tratadas. Há casos em outras cidades que as próprias prefeituras jogam água nas pessoas dormindo nas ruas. É desumano — opinião.

Ele afirma que sempre separa roupas e mantas e doa para a igreja, mas que raramente escuta sobre campanhas do agasalho.

— Sinto uma carência de vontade por parte da Prefeitura em ajudar. Onde estão as campanhas? E mesmo quando elas são realizadas, quando são divulgadas? — questionou.

A vendedora Maria Alice Araújo, 26, comunga dos pensamentos de João, mas acredita que não é necessário apenas esperar o Município tomar uma decisão.

— Eu sei que muitos dos que estão nas ruas não vai para casas de acolhimento porque não querem seguir as regras impostas por lá. Mas, independente de suas escolhas, é necessário se colocar no lugar deles. Está muito frio. Não custa nada a gente tirar aquele agasalho esquecido no guarda roupa e dar a quem precisa — salientou.

Maria destaca que não se escuta falar nas campanhas do agasalho.

— É pouco divulgado e é difícil a gente simplesmente sair nas ruas atrás de quem está precisando. Precisa ser organizado e é para isso que as campanhas servem, mas a população precisa ser avisada. Todos têm o mesmo intuito, é só estar em sintonia — aconselhou.

Campanhas

Mas as campanhas existem e já estão por aí. Dois exemplos são as realizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e a Associação Atlética Acadêmica de comunicação social da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) – com apoio de outras associações estudantis.

Para doar, os servidores e a população que queiram contribuir com a Campanha do Agasalho 2019, podem entregar suas doações, de 8h às 17h30, na sede do Sintram, na Avenida Getúlio Vargas 51, Centro.

Outros pontos de arrecadação podem ser feitas na Uemg, avenida Paraná, 3001, bairro Jardim Belvedere I; na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), rua Sebastião Gonçalves Coelho, 400, bairro Chanadour; no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), rua Álvares de Azevedo, 400, bairro Bela Vista; e na Una, rua Coronel João Notini, 151, Centro. Para mais informações, entre em contato: (38) 9908-6644.

Ao Agora, a Prefeitura informou não estar promovendo nenhuma campanha do agasalho.

Acolhimento

À reportagem, o Município explicou oferece o Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias em Situação de Rua, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Semeds).

— A instituição oferta atendimento integral garantindo condições de estadia, convívio, endereço de referência para acolher com privacidade pessoas em situação de rua, migração ou pessoas em trânsito e sem condições de autossustento. A permanência nesta casa pode ser de até seis meses, desde obedecendo os critérios pré-estabelecidos — revelou.

A Casa de Acolhimento oferece 25 vagas com equipe técnica composta por uma coordenadora, um assistente social, um psicólogo, um auxiliar de serviços gerais, um porteiro e dez monitores.

Além da demanda espontânea, a equipe da Semds também aborda os moradores de rua e recebe encaminhamento da rede de assistência social do município.

O espaço articula dois serviços específicos: o serviço do migrante e o serviço de abordagem. O serviço do migrante oferece o retorno de pessoas desprotegidas socialmente e em trânsito por Divinópolis às suas cidades de origem. Já o serviço de abordagem é responsável pela localização, contato, vínculo e encaminhamento da população em situação de rua para a casa de acolhimento e outros serviços que possam recebê-los, inclusive os de saúde, quando possuem algum agravo.

Temperaturas baixas

O inverno só começa no dia 21, mas já há uma amostra do frio. Faltando poucos dias para a chegada oficial estação, os termômetros têm registrado 15°C, 14°C e até 13°C.

Ontem mesmo, a mínima foi de 13°C e a máxima não passou de 23°C. Hoje, novamente a mínima foi de 13°C, mas a máxima pode chegar a 24°C.

Amanhã, esquenta um pouco, com a mínima chegando a 14°C e a máxima a 25°C. No domingo, 9, a mínima é de 15°C e a máxima de 26°C.

No entanto, a sensação térmica, por causa dos ventos, é ainda menor.

 

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