Fora, queimaduras!

Rotativa - Maria Cândida 

Tem assustado a quantidade de internações resultadas de queimadura com álcool dentro de casa. A venda do produto mais concentrado – 70% se deve ao fato de que a maioria dos pacientes higieniza as mãos com o álcool em gel e distraidamente, ou mesmo por intenção, se aproxima do fogo, aí o resultado é o sabido: um descuidado, ao se aproximar do fogareiro, as mãos ficaram em chamas, o fogo sobe para os braços e pernas e rosto e cabelo e roupa. Valeu um mês de internação hospitalar, além de enxerto de pele, e muita dor...

Com a disseminação do álcool em gel 70% e a sua higienização os acidentes aumentaram. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) flexibilizou a venda do álcool mais inflamável em embalagem de um litro, por algum tempo, o que era vetado até então.

Com mais uso doméstico do álcool liquido e gel, houve aumento brusco de queimaduras. A norma da Anvisa que flexibilizou o uso do álcool doméstico só vai até setembro deste ano, contando apenas 180 dias de vigência. Há pressão crescente para que não seja prorrogada. Pelo que se pode aquilatar, a vantagem foi bem menor que a desvantgem. “O álcool líquido ou em gel é uma arma”, diz o cirurgião José Adorno, presidente da ABQ. E completa que a modalidade representou um dano à sociedade. É uma luta antiga retirar o álcool do ambiente familiar, fazer com que as pessoas entendam que álcool em líquido ou gel existem para higiene e fim medicinal, e não para uso doméstico. 

Dentro de casa (higienização com água e sabão)

Fora de casa, ser fiel ao álcool em gel.

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