Fora do juízo

 

Quando há alguns anos o juiz Joaquim Barbosa fazia seus pronunciamentos, o país inteiro acompanhava, vendo e até sentindo o seu sofrimento com aquelas dores que ele aparentava sentir. Não aparentava, sentia mesmo, pois ele em momento algum se mostrava feliz.

Mesmo assim viajava, fazia suas palestras e, por fim, quando viu que as coisas iriam somente piorar, deixou o Supremo e foi se tratar. Hoje não se fala mais em sua doença e, sim, num homem disposto a disputar a presidência, com pressupostos básicos para ser eleito. Na época que Dilma Rousseff foi reeleita, se candidato fosse a qualquer cargo, inclusive o de presidente da República, Barbosa dificilmente deixaria de se eleger.

Como o tempo é implacável com as pessoas que ficam distantes, aos poucos a figura séria de um juiz, às vezes ofegante, foi desaparecendo. Agora, já devidamente registrado no PSB e com candidatura presidencial em evidência, concorre com nomes sem grande relevo, já que tirando o ainda indescritível Bolsonaro, ninguém é visto como vencedor da próxima corrida presidencial. Sem Lula a concorrer, o candidato petista Fernando Haddad aparece com meros 1% ou 2%, enquanto Marina Silva, uma candidata sem latitude ou longitude, um tanto quanto sem tempero, é a que mais aperta o capitão.

De longe, ainda espiando a corrida, estão nomes conhecidos como o do abstrato Ciro Gomes, do manteiga Geraldo Alckmin e mais ninguém. À frente de todos, em todas as pesquisas sensatas e não fisiologistas, está Jair Bolsonaro com sua proposta de consertar o país, acabar com a corrupção e, principalmente, armar as pessoas que precisam se defender, seja na cidade ou no campo.

Ainda não conseguiram apelidá-lo de nada, pois continua sem a pecha de corruptível, enquanto uma meia dúzia de insensatos acredita mesmo que ele seja homofóbico. Nada verdade, em algumas vezes o candidato não foi muito feliz quando se referiu ao grupo LGBT e assemelhados. Como também só existe uma fala contra a deputada Ana Amélia, porque ela o agrediu verbalmente. A “coitadinha” que também se chama Amélia, como na música de Ataúfo Alves, é uma mulher irascível e, às vezes, grossa no linguajar. De qualquer maneira, teria sido melhor que não houvesse resposta alguma à sulista desbocada.

Portanto e por enquanto, a sucessão presidencial, embora no começo, dá alguma sensação de leveza. Não se fala em “arranjos” em urna eletrônica e muito menos em campanhas milionárias, já que pedir dinheiro hoje a qualquer empresário é ter a certeza de que será xingado. Pela primeira vez nos últimos anos, a sensação dominante é que o juízo poderá ser o grande definidor do nome presidencial.

 

 

 

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