Floramar produz 11 mil peças de roupa por mês

 

 

Gisele Souto 

Divinópolis ser considerada há anos o polo da confecção em Minas Gerais não é segredo para ninguém. Mas o que poucas pessoas sabem é que o Presídio Floramar é um grande aliado do setor e, além de ajudar o Estado nas despesas, fomenta a economia local, sendo ainda um dos caminhos para ressocialização. A unidade prisional situada no bairro de mesmo nome possui três galpões de costura industrial, dois funcionam na ala masculina e um na feminina. Os detentos produzem jalecos azuis que são utilizados no CTI do Hospital São João de Deus. No local, funciona ainda uma produção de costura de golas de camisas para a Camisaria Reserva Brasileira, também instalada na cidade.

Lençóis 

Outro ponto forte na produção dos presos são os lençóis, que está em pleno funcionamento. Cerca de 50 detentos trabalham na costura das peças, e são produzidas aproximadamente 11 mil por mês.

Para a diretora-geral do presídio, Elizabeth Pinheiro Fernandes, o trabalho dos homens e mulheres que cumprem pena na unidade prisional significa o aprendizado de uma nova profissão e uma excelente alternativa no processo de ressocialização.

— Essas atividades de trabalho dão outro significado na vida dos detentos, representam uma esperança para quando terminarem de cumprir suas penas — ressalta.

Estado 

O sistema prisional em Minas funciona como um grande polo industrial têxtil. A instalação de confecções equipadas com máquinas de costura, corte e silk em dez unidades prisionais garantiu a produção de 347.565 peças de uniformes e chinelos que são usados pelos próprios detentos.

A produção com a utilização de mão de obra prisional garantiu aos cofres públicos uma economia de cerca de R$ 1,6 milhão em 2017. Nos dois primeiros meses de 2018, a economia já chega a R$ 370 mil.

Além da vantagem financeira, somam-se a profissionalização da mão de obra carcerária, a agilidade na produção e a pontualidade na entrega das vestimentas. As peças com maior índice de economia são as calças masculinas e femininas.

Produzidas pelas mãos de presos, elas custam atualmente R$ 15,50, mas se fossem adquiridas em licitação custariam R$ 23,50. Essas cifras da economia são calculadas a partir do preço médio do vestuário dos detentos no comércio varejista, comparando com todas as despesas necessárias para a produção.

Locais 

As fábricas estão instaladas nas unidades de Muriaé, Uberlândia, Teófilo Otoni, Ipaba, Governador Valadares, Caxambu, Itajubá, Pouso Alegre e Divinópolis.

Atualmente, são 219 presos dedicados às atividades: 67 mulheres e 152 homens. De segunda a sexta-feira, em horário comercial, eles assumem seus postos em máquinas de corte de tecidos e diferentes costuras e ainda a silkagem de camisetas e calças, com a sigla Seap.

Recompensa 

Com a dedicação ao trabalho, os presos têm direito à remição de pena, ou seja, para cada três dias de trabalho, um a menos no tempo de sentença e parte deles recebe três quartos do salário mínimo.

Todas as unidades prisionais são administradas pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).

 

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