Fio de esperança

Editorial

A população brasileira recebeu a tão sonhada e esperada notícia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia enfim autorizado o uso emergencial das vacinas da Oxford/ Astrazeneca e Coronavac/Sinovac. Logo após o anúncio, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19 no Brasil. Foi a partir deste momento que os corações brasileiros puderam se encher de esperança mais uma vez. A luz no fim do túnel que tanto esperávamos chegou. Apesar dos negacionistas e das notícias falsas, no fim venceu a ciência, venceu o Sistema Único de Saúde (SUS), venceu a informação. O dia 17 de janeiro foi, sem sombra de dúvidas, um dia histórico, o dia que muitos esperavam. É impossível mensurar o sentimento que nos tomou ao enfim noticiar que a esperança para que a vida volte ao normal chegou. 

Além da esperança para a retomada da vida sem medo, ficou a certeza que não há notícia falsa neste mundo que aguente 10 minutos de jornalismo, de notícia séria, com credibilidade. Não há fake news que vença a ciência e os esforços do SUS na concretização desta meta. No fim, ou melhor, no recomeço, venceu a verdade, venceu a informação. Neste primeiro momento serão imunizados os profissionais da saúde, que estão nos hospitais, nas unidades de pronto atendimento e nas unidades básicas de saúde. Neste primeiro momento serão vacinados os considerados heróis. Aqueles que estão na ponta, enfrentando bravamente este mal invisível. Aqueles que muitas vezes deixam de lado suas famílias, seus amigos, suas vidas, por um único propósito: salvar vidas, evitar que esta doença leve mais pessoas. E como não ficar feliz? Como não aplaudir? Eles, que estão lutando diariamente para que diversas vidas não tenham fim, são nosso sonhado e esperado recomeço. 

Talvez muitos de nós ainda demoremos um pouco para sermos imunizados, mas é impossível não se emocionar, não se sentir grato pelo trabalho feito por todos os cientistas do mundo, por morarmos em um país no qual existe SUS e por todas as pessoas que lutaram para que ele não fosse extinto. Hoje, é com o sentimento de gratidão que escrevemos estas páginas, pois o fio de esperança está mais forte do que nunca. Hoje, só podemos escrever estas páginas porque temos ciência e temos informação de qualidade. A vacina chegou. E ela só chegou porque muita gente trabalhou arduamente em um só propósito: salvar a humanidade. E os profissionais de saúde, os idosos, o povo só serão vacinados porque existe ciência, e aqui existe o SUS. 

Sabemos que, apesar dos fatos, apesar das evidências, muitos ainda continuarão em processo de negação. Essa triste realidade insiste em assombrar a humanidade. Mas, ainda que o negacionismo insista, hoje, só queremos agradecer a todos que se empenharam nesta linda jornada. A todos que estão na linha de frente, nos hospitais, nas unidades de saúde, nesse Brasil afora. Vocês são merecedores de tudo. Obrigado, por terem mantido o fio de esperança em nossos corações. 

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