Fim de auxílio federal pode complicar o comércio

Compensação ajudou na manutenção de empregos na cidade; esgotamento da medida gera incerteza

Paulo Vitor Souza

A situação econômica municipal é de apreensão. Apesar das medidas de socorro econômico por parte do governo federal, empresários do comércio seguem preocupados com o declínio nas vendas e a manutenção de medidas restritivas em relação às atividades econômicas.

No início de abril, o governo federal anunciou um pacote de medidas para manutenção de empregos em todo o país. Para as empresas, foi editada uma medida provisória, permitindo aos empregadores a redução da jornada de trabalho e, consequentemente, do salário. O projeto teve custo de R$ 51 bilhões, e na época, o governo calculava a perda de 12 milhões de empregos caso a medida não fosse adotada.

Preocupação

A medida econômica que permitiu aos empregadores reduzir as jornadas já está se esgotando, isso porque, segundo o documento, ela teria validade de 90 dias. Esta é a preocupação de parte dos empresários e comerciantes de Divinópolis. Com o fim do auxílio, fica a dúvida de como manter abertas as portas de empresas e comércios, uma vez que o governo prestou uma compensação referente a parte dos salários dos funcionários.

De acordo com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), as medidas federais ofereceram aporte financeiro garantindo a manutenção de empregos na cidade.

— Sem dúvida, as medidas do governo federal foram fundamentais para a manutenção do emprego e da própria sobrevivência das empresas aqui na cidade. Estas medidas deram um alívio muito grande, porque, quando falamos de uma empresa de comércio ou prestação de serviço, a primeira conta é referente aos seus fornecedores, e, no caso de uma pandemia, a empresa não tem com o que comprar. A segunda conta que mais pesa é justamente a folha salarial, e essa o governo federal conseguiu contribuir de uma forma muito efetiva quando permitiu o afastamento temporário ou redução na jornada de trabalho, adequando e aliviando muito as empresas. Outra conta que pesa muito no custo fixo são os aluguéis, pois numa empresa comercial este gasto pesa porque exige-se um ponto bom, e eles no Centro da cidade são muito caros — explicou o presidente da CDL, Luiz  Angelo Gonçalves.

O presidente apontou que, além das medidas de auxílio federal, a renegociação de aluguéis também deu sobrevida aos comerciantes. No entanto, conforme Luiz Angelo, nem todos os comerciantes conseguiram maiores prazos e melhores condições de negociação.

Estimativas 

O impacto trazido pelo fim da ajuda econômica trará efeitos ainda mais graves. Mais de 50% das empresas ouvidas pela CDL revelaram o risco iminente de fechamento, caso persista a redução da carga de trabalho, mas reconheceram que essa possibilidade é melhor que a suspensão total das atividades.

— Com o fim destes três meses de ajuda, é bem possível que tenhamos algum grau de demissão dentro de alguns meses. Nesse primeiro momento, a própria medida protege o trabalhador também de demissão, então é provável que as empresas não gerem demissão neste primeiro momento — pontuou Luiz  Angelo. 

A depender do efeito da medida editada pelo governo, a previsão do presidente da CDL pode se confirmar. Isso porque a Medida Provisória (MP) prevê contrapartida na ajuda oferecida às empresas. Neste caso, o emprego do trabalhador que tiver a jornada reduzida deve ser mantido por um período igual ao da redução. Por exemplo: se o empregado e a empresa chegaram ao acordo de redução de jornada e salário por dois meses, o empregado terá estabilidade por igual período, não podendo a empresa o demitir.

Entretanto, alerta Luiz  Angelo, caso não haja recuperação econômica e persista a restrição ao trabalho em razão das medidas de contingenciamento à pandemia, há o risco de novas demissões, inclusive com o fechamento de empresas.

— Nós já temos um número que mostra recentemente mais de 1,2 mil vagas de emprego encerradas aqui na cidade no mês de abril e que também pode ser acumulado com outras no mês de maio e junho. A estimativa é que as medidas ajudaram muito a segurar os empregos na cidade. O fim delas deixa o empreendedor com muita vulnerabilidade e é agravado ainda pelo fato de eles não conseguirem acessar o crédito. Pouquíssimas empresas conseguem acessar crédito no sistema bancário, pouquíssimos conseguirão obter o Pronamp e outras linhas de crédito. Então o empreendedor está com muita dificuldade e ainda desamparado — finalizou o presidente da CDL.

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