Filme 'Em Pedaços' mostra manipulação da Justiça para manutenção de poder

Otávio Paiva
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LANÇAMENTOS DA SEMANA

EM PEDAÇOS (AUS DEM NICHTS). ALEMANHA. 2017. DIR: FATIH AKIN. ELENCO: NUMAN ACAR, ADAM BOUSDOUSKOS, DIANE KRUGER. DRAMA. 106 MIN. 
Filme alemão que polemizou pelas redes com sua abordagem direta sobre o xenofobismo que tomou conta do mundo depois da crise de 2008, chega agora às locadoras para trazer mais discussão nas redes. Acompanhamos no início uma família feliz constituída de um turco de nome Nuri Sekerci (Acar) e de uma alemã chamada Katja (Kruger), com um filho novo, e tudo vai bem até que um atentado ocorrido em frente da empresa de Nuri acaba com sua vida e a de seu filho Rocco. Com o tempo descobrimos que Katja o conheceu quando comprou haxixe dele nos tempos de estudante, e que haviam se casado quando Nuri cumpria pena em uma prisão, contra o desejo dos pais dela, mas agora vivem uma vida normal longe da contravenção e Nuri trabalha em sua empresa que cuida dos impostos. Com a morte de seus entes queridos Katja é jogada num turbilhão onde terá de enfrentar, além do luto terrível, a desconfiança da polícia que trata o crime como vingança criminosa relacionada às drogas, e aqui o filme toma uma outra direção indo parar num tribunal onde Katja será pressionada pelo defensor de um casal neonazista acusados do crime. A atuação de Diane Kruger lhe rendeu vários prêmios, incluindo o de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Um filme que nos mostra como anda a Justiça no mundo de hoje, quando é manipulado pelos senhores do poder para acobertar seus crimes.

A FORMA DA ÁGUA (THE SHAPE OF WATER). EUA. 2017. DIR: GUILLERMO DEL TORO. ELENCO: SALLY HAWKINS, OCTAVIA SPENCER, MICHAEL SHANNON. AVENTURA. 123 MIN.
O mundo da magia ganhou sua trilha sonora nesse filme vencedor de grandes prêmios como o Oscar e o Festival de Veneza. O diretor mexicano Guillermo Del Toro já havia navegado nessas águas com seu “O Labirinto do Fauno” e agora nos leva para o início dos anos 60, auge da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Acompanhamos a vida de uma faxineira muda chamada Eliza Esposito (Hawkins) que trabalha numa base secreta do governo americano e que testemunha a chegada de uma criatura que foi capturada na América do Sul, uma mistura anfíbia de homem e peixe, e ela acaba se afeiçoando a ele. Ao descobrir que estão querendo usá-lo como uma cobaia numa experiência, Eliza resolve convocar sua companheira Zelda (Spencer) e um amigo para ajudá-la a seqüestrar a criatura. Com imagens impressionantes onde a beleza plástica dá seu tom, ainda temos um desempenho primoroso de Sally Hawkins que, apesar de não ter o padrão de beleza hollywoodiano, mostra a singeleza de seus gestos para nos ganhar, neste filme que vai perdurar no imaginário cinematográfico. 

CLÁSSICO DO CINEMA

SAMSARA (SAMSARA). ÍNDIA. 2001. DIR: PAN NALIN. ELENCO: SHAWN KU, CHRISTY CHUNG, NEELESHA BARTHEL. DRAMA. 145 MIN.
Linda história de amor espiritual passada nas cadeias do Himalaia na parte ligada à Índia chamada Ladakh onde somos levados a uma caverna onde os monges estão lá para retirar de dentro Tashi (Shawn Ku), um iogue que passou mais de três anos meditando e procurando sua verdade interior. Depois de receber a coroação do próprio Dalai Lama a vida de Tashi vai entrando na sua rotina mas ele começa a sentir um desejo mais terreno por uma garota que é sua vizinha, Pema (Chung) e acaba abandonando a vida ascética para se casar com ela e constituir família, usufruindo de uma vida sexual prazerosa e ativa. Só que Tashi é uma pessoa que vive fugindo de si, e ao cometer um adultério resolve retornar ao seu mundo anterior, mas será que achará a paz interior que tanto procura? São essas questões que permeiam o filme cujo título “Samsara” nos remete á reencarnação e a eterna repetição da vida e da morte e a nossa insatisfação eterna em nunca nos rendermos à nossa condição humana. Ótimo filme para uma reflexão sobre o nosso estar aqui.

MÚSICA DA SEMANA

Enquanto escrevia essa coluna fui escutar o novo álbum do pianista e compositor Antônio Adolfo, “Encontros Orquestra Atlântica”, com sua instigante mistura de música brasileira e jazz. Música da semana: Sá Marina.

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