Feriadão

Amnysinho Rachid

        E assim começamos a Semana Santa, aquele tão esperado feriado da Sexta-Feira da Paixão, que a vida inteira nos fez viajar. Praia, montanha, barragem, cachoeira, cidade histórica e muito mais… O importante era curtir.

      Mas, neste ano, a coisa vai ser diferente. Primeiro que estaremos curtindo um pacote de feriados em um só – todos os feriados deste ano e mais alguns do ano que vem. É pouco ou quer mais? Tem coelho de Páscoa trombando com Papai Noel montando em boi no rodeio… Loucura! Mas, se é para salvar vidas, está valendo, só espero não ser sacanagem do 1º de abril, dia da mentira.

      Assim, deu saudade da época em que as coisas aconteciam numa simplicidade aqui na terrinha.

Na nossa adolescência era comum ter festas – se não tinha motivo, a gente criava, mas algumas ficaram marcadas na nossa lembrança.

      Lembro-me muito de uma festa na casa da avó da Maísa, que era vizinha da Denise Mourão e da Simone. Ela passava férias aqui e resolveu dar uma festinha, ou melhor, uma hora dançante. Nós ajudamos a organizar a festa, tudo aconteceu no quintal da casa e a boate foi dentro de um galinheiro abandonado. Avisamos a galera e, na hora marcada, a turma chegou em peso. Quem colocou o som foi o Faustinho, que era o nosso discotecário da época. E a coisa bombou até que não sei quem resolveu fazer um xixi. Coisa comum, se não fosse nas couves do tio da menina – aí o caldo engrossou. O sujeito acho que não era muito normal e acabou com a festa. Nunca descobrimos o nome do mijão.

        Uma festa marcante foi na casa do Álvaro, filho do Dr. Marcio. A casa era o palco perfeito para uma festa à fantasia e, por ser um casarão enorme, nada mais certo que uma noite de monstros. E todos da família, até os empregados, entraram na dança, literalmente. Foi demais: a boate da casa toda produzida com um caixão no meio – e o melhor, com a empregada da época deitada como morta e durante a festa ela pedia um golinho de bebida. Cada hora tinha um vampiro tentando mordê-la. No finalzinho, eu dançando comecei a acender o isqueiro, fazendo efeito e, como o lugar estava cheio de enfeites imitando teias de aranha, não deu outra: o fogo pulou e começou a pegar fogo em tudo. Por sorte, foi apagado na hora e a festa acabou, só me lembro de ouvir os gritos da irmã do Álvaro: “Foi Nicinho, foi nicinho que colocou fogo na festa”. Saímos correndo, mas a turma me zoou por muito tempo: “Foi Nicinho”...

       Uma superfesta também foi no salão de festa do prédio da Gisele. O melhor foi a organização: resolvemos que iríamos transformar o salão em uma boate e, para isso, fomos à Casa José Silva, que na época vendia vidros e espelhos. Na cara dura, pedimos os retalhos de espelhos, cacos, e ganhamos muitos. Aí apareceu o problema: como pregá-los? Tentamos com durex, mas não parava no lugar. Aí Gisele disse ter em casa uma superfita dupla face, achamos o máximo e “garramos” a usá-la. Os espelhos estavam dando um efeito fantástico, show, até que o pai da Gisele chegou e queria matar a gente. A fita era dele e importada, caríssima, pois ele usava para prender a peruca, que usava na época. Quase morremos de tanto rir e de aperto.

      E assim a coisa acontecia deliciosamente fácil...

rachidmen

Comentários
×