Faz de conta

Preto no Branco

Sabe aquela frase: “você finge que fala a verdade, e eu finjo que acredito”? É bem assim. No Brasil, tudo funciona por meio do “faz de conta”. O político finge que trabalha e é eleito a cada eleição. A Justiça aparenta que trata todos iguais e todo mundo abaixa cabeça. O gestor faz de conta que ouviu o clamor do morador da periferia e ele é enganado por mais quatro anos. Já o presidente nem disfarça a falta de importância que ele dá a assuntos de extrema importância e enraizados na nossa sociedade, como homofobia e racismo. Ou seja, em um país totalmente desigual, onde manda quem pode – especialmente se estiver no poder –, a população continua fingindo que tudo está a mil maravilhas e caminha a passos largos para um abismo sem fim. Neste quesito, quem aceita e se comporta como quem ilude, acaba sendo igual, ou pior que eles. Afinal, quem compactua com erros é tão errado quanto quem comete. 

Sim é não 

E não é sim. Isso quer dizer que, por aqui, o certo é errado e o errado é certo. E isso virou um costume tão frequente entre os brasileiros que eles ficam a cada dia mais inertes assistindo às aberrações que vêm de onde deveriam sair os exemplos. A lista é gigantesca. Começa nos governos, passa pelas casas legislativas, pela Justiça, no futebol... Há muito, a honestidade e a ética perderam espaço para a ilegalidade e a corrupção. Ser honesto por aqui – o que é obrigação – é motivo para aplaudir, endeusar. Isso porque as leis – retrógradas, digamos – em vez de serem aprimoradas para o bem comum, muitas vezes se curvam para garantir a proteção de um considerado culpado, e reduzir ou extinguir sua pena. Ah! Isso depende muito da sua posição social. Por estas e outras, é querer demais levar a sério um país onde a moral ainda impera. Isso vai acontecer só “quando galinha nascer dentes”!

De quem é a culpa?

Minha que não é. É o que se ouve de todo mundo quando há um mal feito ou uma promessa que não é cumprida. Isso vai de uma criança com medo de ser castigada a um chefe de Estado. Foi o que aconteceu com o governador Romeu Zema (Novo), quando foi pressionado em Divinópolis sobre obras prometidas e não acabadas, como a do hospital regional e as da MG-050. Todo mundo sabe que os governos do PSDB e do PT são os grandes responsáveis. Porém, “não adianta chorar o leite derramado”. O negócio é buscar solução e dar um jeito de resolver.  No caso do hospital, por exemplo, é preciso um “chega para lá” nessa Vale que só sabe prometer e buscar formas de sair ilesa. Alguém precisa dizer a ela que, apesar de a Justiça amolecer, nada que fizer para Minas Gerais – nem que dê as empresas de graça – vai pagar os danos causados, principalmente às famílias, que perderam centenas de filhos, irmãos, pais, maridos, esposas. É aquela coisa de achar que dinheiro compra tudo, até a dignidade das pessoas. Nestes casos, o pior é que elas não somente pensam, como têm plena certeza!

Não tiram

O bom é que a situação complicadíssima do Governo de Minas e as poucas saídas à vista não tiram sua habilidade de governar e a proximidade que Romeu Zema faz questão de ter com o povo. Depois de seus compromissos formais em Carmo do Cajuru, São Sebastião do Oeste e na Fiemg, fez questão de andar pela principais ruas centrais de Divinópolis e conversar com comerciantes, clientes ou mesmo quem andava pelas vias. Deles, ouviu cobranças, reclamações, mas, principalmente, elogios. É de praxe Zema fazer isso em todas as cidades que visita. Prova que não teme ser cobrado, que é humilde para ouvir sugestões e o mais importante: como diz o deputado Cleitinho Azevedo (CDN), que até o presenteou o com um boné, contendo a frase “somos empregados do povo”. Pelo visto, o governador também pensa assim e procura ouvir a população no tête-à- tête. 

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