Farra dos cargos

 

Galileu Machado (MDB) pediu, o povo deixou e ele voltou. Voltou para a Prefeitura e não voltou sozinho. Voltou com sua família e suas promessas de campanha. A poucos dias de enviar o novo organograma da Prefeitura para a Câmara, o prefeito parece estar pouco disposto a enxugar a máquina pública e fazer as prometidas economias.

Galileu tomou posse no dia 1º de janeiro de 2017, menos de 30 dias de Vladimir Azevedo (PSDB) após decretar calamidade financeira e anunciar que a Prefeitura tinha uma dívida de R$ 30 milhões. Dívida esta que, segundo a secretária municipal de fazenda, Suzana Xavier Dias, em abril do ano passado, era na verdade de pouco mais de R$ 51 milhões. Mas, para quem tinha acabado de voltar, tal dívida que aumentou mais de R$ 20 milhões não foi suficiente para manter os pés nos freios, e não faltaram cargos. Em pouco mais de três meses de mandato, Galileu nomeou 214 cargos comissionados, ficando no limite permitido por lei, que é 221.

Galileu se amparou na justificativa de que não tinha havido transição de governo, devido à sua situação na Justiça Eleitoral e que, por isso, precisava se amparar do máximo de pessoas competentes para iniciar a sua administração. O prefeito prometeu ainda, por meio de parte de seu secretariado, e do procurador-geral do Município, Wendel Santos, que reduziria o número de cargos comissionados no Poder Executivo. Tal promessa está oficializada inclusive no Diário Oficial dos Municípios Mineiros, no inciso 11, do artigo primeiro, do Decreto 12.556/2017: “Análise da redução do quantitativo dos cargos em comissão e do número de Secretarias por meio da elaboração de um novo organograma”.

Um ano se passou da publicação desta norma e até o momento nada foi feito. Galileu tem hoje 212 cargos comissionados na Prefeitura. Dois a menos da época da publicação do decreto. Isto só mostra a indisposição do prefeito em enxugar a máquina pública. E quem viver, verá. Além de não mostrar nenhuma vontade em exonerar 20% de seus cargos, o prefeito é investigado pelo Ministério Público por nepotismo, e uma dessas investigações virou uma Ação Civil Pública. Volta, Galileu? Voltou! E voltou com toda sua família, e suas nomeações sem fim.

Enquanto a Prefeitura está lotada de cargos comissionados, Divinópolis perde o aeroporto, a Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h) está em frangalhos, sendo inclusive alvo de uma investigação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara, a farmacinha continua sem medicamentos, sem falar nos buracos espalhados pelas ruas da cidade e a falta de infraestrutura.

Não se pode esquecer ainda de alguns vereadores que compactuam com esta situação em troca de cargos, conforme indicam declarações em plenário cuidadosamente arquivadas e selecionadas pelo colunista Bob Clementino. O que mais entristece nisso tudo é ver a “união” entre Poder Executivo e Legislativo, enquanto Divinópolis esfarela em meio à farra dos cargos comissionados.

De nada adianta ir para a Tribuna Livre, bater, gritar, berrar, falar mal do prefeito, se também está comendo do bolo lá do alto da avenida Paraná. Já dizia aquele ditado popular: “Quem com porcos anda, farelo come”.

Que venha a próxima novela divinopolitana: novo Organograma da Prefeitura. Tem tudo para ser mais ou menos dramático quanto foi a novela “Revisão da Planta de Valores do IPTU”, que, conforme comentários de bastidores, custou alguns cargos aos nobres vereadores.

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