Farmácia Central já está atendendo em novo endereço

 

Da Redação

A partir de hoje, 15, a Farmácia Central e a Farmácia Complementar já estão atendendo em novo endereço. As duas unidades agora funcionam na rua São Paulo, 7. Durante o dia de ontem, ambas permaneceram fechadas para realocação.

Divinópolis possuiu oito farmácias municipais, realizando uma média de 20 mil atendimentos mensais. Segundo o secretário de Saúde, Amarildo Sousa, as alterações visam a melhora do atendimento.

— A mudança vai proporcionar economia à Prefeitura e melhores condições de atendimento à população — destacou.

As duas farmácias passam a atender no endereço onde era localizado o antigo Restaurante Popular. Neste ano completa-se cinco anos desde o encerramento das atividades do programa que fornecia cerca de 1.600 refeições diárias a pessoas de baixa renda.

Restaurante Popular

Uma das ações sociais de maior importância para a cidade continua sem previsão de reabertura. O antigo restaurante da cidade completa, em julho deste ano, cinco anos de fechamento, o que ocorreu em 2014. Uma possível reabertura do local parece um sonho distante para a população carente.

O restaurante funcionava perto do quarteirão fechado da rua São Paulo. Inaugurado em meados de 2008, o programa tinha como objetivo atender os cidadãos carentes de Divinópolis, fornecendo uma boa alimentação a preço baixo.

Em 2013, o restaurante comemorou cinco anos de funcionamento. Cerca de 1.600 refeições eram servidas diariamente pelos 27 funcionários no local, além do acompanhamento de nutricionistas. Inicialmente, o valor de cada almoço era de R$ 1 — outros R$ 4,09 eram custeados pela Prefeitura. Nesses primeiros cinco anos, estima-se que mais de dois milhões de refeições tenham sido servidas.

Mudanças

Antes mesmo do fechamento, em 1º de julho de 2014, o restaurante já tinha sofrido uma mudança impactante. O valor da refeição, em outubro de 2013, subiu de R$ 2 para R$ 5; já a marmitex aumentou de R$ 2,50 para R$ 5,50. Apenas quem era cadastrado no programa Bolsa Família, no benefício de proteção continuada ou recebia até um salário mínimo de aposentadoria continuou pagando o mesmo preço, de R$ 1 pela alimentação ou R$ 1,50 pela marmitex.

Nos dias seguintes a mudança já trouxe um impacto negativo no consumo. O público diário era de 1.600 pessoas, segundo a Prefeitura, caiu para 400 frequentadores. Ou seja, o restaurante parou de receber mais da metade de seu público.

Uma das alegações feitas em defesa do aumento na época foi a atualização dos preços devido ao aumento no custo. Também foram registrados casos de exploração. Usuários estavam comprando marmitex e revendendo em obras na região. O valor teria subido para evitar casos como esses. 

Custo

Hoje e 2014 são contextos diferentes. A crise econômica, não só em Divinópolis, mas em toda Minas Gerais, ainda não tinha contornos tão graves. Mas, antes de ser fechado, calculava-se que a Prefeitura repassava ao restaurante cerca de R$ 120 mil mensalmente.

O ex-prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) afirmou, naquele ano, em coletiva de imprensa que um dos motivos para o fechamento do restaurante popular era a falta de alvará sanitário da instalação. Ainda segundo ele, o local apresentava problemas desde a construção.

PAP

Para suprir e minimizar a carência deixada pelo programa, o governo anunciou o lançamento do Programa de Alimentação Popular (PAP), como um substituto do Restaurante Popular. Aproximadamente 400 divinopolitanos beneficiados. Os cadastrados receberam um cartão alimentação, com saldo diário no valor de R$ 4. O vale era aceito apenas em restaurantes credenciados na região central da cidade, que comercializavam o almoço pelos mesmos R$ 5 do restaurante. Ou seja, o usuário precisava completar com R$ 1.

A experiência do PAP durou pouco mais de dois anos. Em maio de 2017, a Prefeitura suspendeu o benefício. A população carente, em situação de vulnerabilidade social, teve o almoço por R$ 1 cortado. O motivo, segundo o órgão, foi a detecção de inconsistências e irregularidades em alguns cadastros.

Futuro

Com a crise econômica, uma possível reabertura do restaurante parece distante. Servidores ainda continuam recebendo os salários parcelados e o estado de Minas deve ao Município R$ 103,5 milhões. Com esse cenário fica difícil imaginar a Prefeitura reabrindo o local. Porém, o custo-benefício seria incalculável. Milhares de pessoas poderiam voltar a ter uma alimentação saudável por um preço acessível, além de, é claro, gerar emprego para cozinheiros, nutricionistas, funcionários responsáveis pela limpeza etc.

 

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