Família relata alívio ao ver suspeito de desaparecimento da filha preso

 

Anna Lúcia Silva

Alívio é o sentimento dos pais que não vêem a filha há mais de 100 dias e agora acompanharam a prisão do homem que é o principal suspeito de seu desaparecimento. O investigado, de 40 anos, era o companheiro de Karla Gonçalves, 32 anos, desaparecida desde o dia 5 de janeiro após uma briga entre o casal.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Maria Gorete Rios, Claudimar Ferreira foi preso temporariamente por 30 dias, na última sexta-feira, 12, mas este prazo pode ser prorrogado por igual período para que o inquérito aberto siga em andamento. O homem se encontra no presídio Floramar à disposição da Justiça.

Tortura psicológica

O suspeito, hoje preso, foi responsável pela angústia diária de toda a família de Karla, que acredita que ele tenha matado a filha. Contudo, não há nenhuma prova do crime e nenhum vestígio dela foi sequer localizado.

Em todos estes dias solto, a família conta que Claudimar realizou verdadeiras torturas psicológicas com toda a família ao postar, em suas redes sociais e aplicativos, frases que demonstravam que ele ocultava algum segredo e ainda se vangloriava de estar em liberdade.

— Ele postava coisas horrorosas e a gente sempre acompanhava e guardava tudo para análise da polícia, e tenho certeza que isso contribuiu para que fosse preso. Agora, sentimos um pouco de alívio em ver que ele não está em liberdade, mas o que todos nós queríamos mesmo era encontrar a Karla — disse o pai, Luiz Carlos Gonçalves.

Durante todo o tempo, Claudimar negou ter qualquer relação com o desaparecimento da companheira, afirmando, inclusive, que na noite da briga, ele dormiu e quando acordou ela já não estava mais lá. Em um áudio enviado a um amigo naquela noite, Karla relata que estava sendo ameaçada de morte pelo suspeito.

Entenda o caso

O inquérito foi aberto pela Polícia Civil na ocasião do desaparecimento de Karla, na semana do dia 5 de janeiro. No entanto, até a prisão do investigado, nenhuma informação adicional havia sido divulgada  para que não acarretasse nenhum prejuízo às investigações.

Depois da data do desaparecimento, a mulher nunca mais deu notícias, ou sequer foi encontrado algum vestígio que pudesse indicar seu paradeiro. Por isso, a família acredita que ela tenha sido morta por Cláudio, já que os dois brigaram muito na noite em que ela sumiu.

Ao contar sobre o desaparecimento da filha, Luiz Carlos revela um trajeto de violência vivenciado por Karla em todo o período em que se relacionou com o companheiro, o qual, para toda a família, é o principal suspeito.

Karla é mãe de três filhos, com idades de 1 ano e 5 meses, 9 e 15 anos. Eles moram em Nova Ponte, no Triângulo Mineiro, com os avós maternos. Ela morava no bairro Alvorada em Divinópolis desde novembro de 2018, com seu parceiro, em uma de muitas tentativas de reconciliação do casal. Mas, antes disso, ele protagonizou um longo histórico de perseguição, ameaças e agressões.

Por coincidência ou não, um ano antes, na mesma data do desaparecimento, o companheiro, pai do filho mais novo de Karla, pegou o bebê de três meses da mãe e só o entregou depois de 20 dias, desnutrido e com fortes assaduras.

— Karla recebeu o pai do filho dela para uma visita em Santo Antônio do Monte, onde ela estava morando com seu então namorado. Enquanto ele estava com o bebê nos braços, ela foi até a cozinha e quando retornou ele não estava mais lá. Tinha sumido com o menino sem dar nenhuma satisfação. Acionamos a polícia e só depois de 20 dias ele entregou a criança de volta. Ele estava muito magrinho e com muitas assaduras — contou.

A justificativa do companheiro de Karla para ter levado o filho foi de que ele não aceitaria que a criança fosse criada com nenhum homem que ela se envolvesse naquela ocasião.

Agressões constantes

O pai relata ainda que a filha era agredida constantemente pelo companheiro e que ele já chegou a amarrá-la a uma árvore, queimar suas roupas, além de constantemente agredi-la fisicamente e verbalmente,  inclusive no período de gestação.

— Depois de recuperar o filho levado pelo companheiro, Karla voltou para Nova Ponte e já mantinha contato com o homem suspeito. Ele só entregou a criança para Karla depois que ela prometeu que iria voltar com ele. Uma semana depois, ele buscou ela e o bebê em Nova Ponte. Eles tiveram muitas brigas, separaram muitas vezes e em uma dessas brigas ele a agrediu, eles separaram e ficaram muito tempo sem contato. Ela foi morar de novo em Nova Ponte e em novembro eles voltaram — revelou o pai.

Como conta a família, os dois permaneceram brigando até a noite do dia 5, quando Karla desapareceu.

 Mesmo ciente da situação, o companheiro não registrou um boletim de ocorrência, tampouco procurou a polícia para informar o fato na data, o que só foi feito no dia 7 de janeiro, dois dias depois. Para o pai, isso realça ainda mais o envolvimento dele no desaparecimento da filha.

— Ele só fez isso porque nós imploramos que ele fosse à polícia, já que estávamos todos longe de Divinópolis e não tinha como a gente registrar a queixa. Depois disso, ele foi lá e fez o boletim informando não ter ideia de onde Karla possa estar — disse Luiz Carlos.

Material de investigação

Ainda como material de investigação, a família cedeu à polícia vários áudios em que Karla diz que está sendo ameaçada de morte e pede socorro a um amigo por meio de um aplicativo de celular. No último áudio, ela diz estar aguardando um táxi, que a levaria para Santo Antônio do Monte, na casa do amigo com quem ela conversava.

— Depois desse áudio, ela não falou mais nada. Sumiu e deixou tudo na casa onde estava morando. Desde então, não tivemos nenhuma notícia e é só isso que queremos, qualquer informação de onde ela ou o corpo dela possa estar— finalizou o pai. 

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