Falta muito

Editorial

Mais de 365 dias depois do primeiro caso de covid-19 no Brasil, em Minas Gerais, em Divinópolis, e do retorno à estaca zero em um cenário piorado, a única constatação que nos resta é que, infelizmente, aquilo que era tido como algo que faria a humanidade evoluir simplesmente não funcionou. Muito pelo contrário, apenas mostrou o quanto mesquinho e egoísta um ser humano pode ser. Justo quando as janelas de esperança se abriam rumo à saída deste pesadelo, a população voltou para o mesmo lugar que se encontrava no ano passado e a cada dia está mais egocêntrica. O discurso do “eu sou prioridade, porque eu faço isso”, “o meu comércio é essencial” e “prefiro morrer lutando” mostrou que não ajudou em nada e nos trouxe para o mesmo lugar. Tudo isso só serviu para mostrar que o vírus evoluiu ao longo deste um ano, mas a sociedade não. Esta continua no mesmo lugar e só não vê quem não quer. A pandemia, definitivamente, não nos tornou mais humanos ou mais fortes. 

Nem mesmo as 282.127 mortes em consequência do coronavírus no país e as 174 vidas perdidas para este vírus em Divinópolis são capazes de causar uma reação que chegue próximo à empatia. Cada um, em sua bolha da “importância”, não pensa sequer em mudar o comportamento, para ao menos tentar dar alguns passos rumo à evolução. Sim! Evolução! É isso o que precisamos neste momento para que possamos ter o mínimo de esperança de que tudo um dia vai voltar à normalidade. Apesar de não estarmos muito acostumados com o termo “evoluir” aqui no Brasil, agora é dele que precisamos. O primeiro passo para talvez conquistarmos esta evolução é parar de achar que “a minha dor é maior do que a do outro", "o meu prejuízo é maior”, “minha vida vale mais” e que a “minha família é mais importante que a do outro”. 

O segundo passo que talvez vá conseguir nos ajudar a evoluir é ter políticos comprometidos com o povo, e não apenas com as eleições ‒ por mais absurdo que seja falar isso, mas é a mais pura verdade. Com as eleições de 2022 se aproximando, já tem políticos pensando no pleito e usando a situação apenas para fazer politicagem. Usando vidas para fazer política. E o mais absurdo ainda é constatar que apesar de as eleições de 2020 já terem passado, ainda tem vereador achando que está em franca campanha. O terceiro passo é entender que o direito individual termina quando ele afeta a coletividade. Talvez estes pequenos – mas importantes – passos sejam suficientes para que a luz no fim do túnel se abra mais uma vez. Afinal, se até mesmo um vírus consegue evoluir, por que a sociedade não? Basta apenas que todos saiam deste papel de julgadores e se juntem em um só propósito: vencer a pandemia, porque, até o momento, ela tem nos vencido, de goleada, e provado que uma evolução pode ser mais forte e mais letal. 

À nós cabe apenas estarmos dispostos a dar esses passos, para que a nossa evolução traga força e resultados, pois os últimos passos dados só nos levaram para um abismo, ou melhor, para um lugar pior do que estávamos em março do ano passado. 



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