Falta incentivo

Falta incentivo  

Se tem uma coisa que falta no Brasil, e todos estão cansados de saber, é incentivo à cultura e acesso à educação. Diante da atual crise econômica que o país enfrenta, é cada dia mais nítida a diferença social que se instalou por aqui. Apenas os mais loucos, os extremistas, continuam com aquele lenga-lenga que “o sol nasceu para todos”. Está cada dia mais claro – e agravado pela pandemia da covid-19 – que os jovens de baixa renda não têm acesso à educação de qualidade assim como os jovens de classe média/alta. Mais claro ainda é como isso reflete na sociedade como um todo, na construção e no futuro do Brasil. É impossível sonhar com um país melhor quando a maioria das crianças e adolescentes têm acesso limitado a dois pilares tão importantes. 

Parafraseando Paulo Freire, “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Sem educação, sem igualdade, sem equidade, sem cultura, é impossível sonhar com dias melhores. Se o incentivo a essas áreas não for feito de forma que as atitudes e atos melhorem a cada geração, o brasileiro pode colocar suas “barbas de molho” e se preparar para a infinidade de dias de luta que tem pela frente. Para se ter uma noção do quanto a educação e a cultura mudam a realidade de um país, basta fazer comparações dos países desenvolvidos com os subdesenvolvidos. O “x” da questão está ali. No incentivo e acesso à educação e cultura. É fato que não só de obras e infraestrutura se vive uma nação. 

E, se esse incentivo falta no Brasil, é claro que falta em Divinópolis. A cidade, que tem mais de 220 mil habitantes e é polo na região, conta com um teatro apenas. O local ficou fechado durante um ano e meio devido à pandemia da covid-19 e mais recentemente para revitalização, mas é fato que as administrações da cidade nunca investiram no setor, e o teatro sempre foi alvo de denúncias. Neste ano, a Secretaria Municipal de Cultura anunciou que foi feita a troca da fiação, a reforma do telhado e da pintura externa do Teatro Gravatá. Reparos de rotina. Entra administração, sai administração, e o único “grande movimento” que é feito no teatro são essas manutenções. É exatamente por isso que é possível afirmar que é preciso mais, é preciso muito mais para um setor tão negligenciado pelos representantes do povo. 

Se, por um lado, reparos rotineiros no Gravatá são motivos de notícias, o mesmo não pode-se dizer do Museu Histórico. Localizado na Praça da Catedral, o prédio foi interditado em março de 2017, e a última notícia que se tem é de julho de 2019, quando um estudo museológico foi feito no imóvel para a realização de uma possível reforma. O museu abriga obras de artistas da região, peças históricas e também fotos antigas que ajudam a contar a história da cidade, e está de portas fechadas. E, diante deste cenário, é impossível não questionar: há esperanças para um futuro melhor sem cultura e sem educação? Talvez a resposta desta pergunta esteja na frase de Paulo Freire. Talvez seja preciso mais ação e menos falação. Mais olhares abertos e menos politicagem, pois educação e cultura transformam o mundo.

 

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