Falta de transparência e líderes religiosos como prioridade: vacinação é tema na Câmara

Presidente do Conselho de Saúde participou do encontro e criticou falta de divulgação das informações

 

Matheus Augusto

A vacinação em Divinópolis foi um dos temas abordados na reunião da Câmara desta terça-feira, 16. O primeiro a discutir o tema foi o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Warlon Carlos Elias, que fez o uso da tribuna.Dentre os temas abordados, ele citou a defesa de dentistas pela vacinação do grupo na primeira fase, por se tratar de profissionais de saúde. 

— Eles estão questionando e é uma questão que precisa ser analisada com transparência — destacou. 

Warlon ainda citou o termo de confidencialidade assinado pelo membros do comitê de enfrentamento à covid-19 e destacou que as atas das reuniões não são enviadas ao conselho. Sobre a vacinação, ele citou que houve uma forte mobilização para divulgar a primeira imunizada na cidade, mas, desde então, o cenário carece de transparência.

O presidente do conselho também questionou a situação da mudança da Semusa do prédio na rua Minas Gerais para o Centro Administrativo, na avenida Paraná. Segundo ele, além do aumento de custo em vale-transporte, por exemplo, há relatos de “aglomerações dos funcionários uma vez que as salas podem não comportar o distanciamento”.

— Infelizmente, suspeito que a mudança da secretaria não foi em momento oportuno, ocasionando prejuízo à vacinação em Divinópolis — afirmou.

O representante cobrou mais transparência na execução da vacinação e uma resposta sobre os grupos prioritários. “Uma coisa é furar fila, outra é exigir transparência no processo”, citou.

Em referência a chegada de pacientes de Coromandel e Monte Carmelo com covid-19 para tratamento na cidade, Elias solicitou ao deputado Cleitinho Azevedo (CDN) que cobrasse do governo estadual a abertura de mais leitos em Divinópolis, a fim de evitar o colapso do sistema de saúde.

— Estamos recebendo pacientes de outras cidades da macro. Por questões de humanidade e legalidade, precisamos atender, mas é preciso cobrar do governador a abertura de mais leitos — finalizou.

Transparência

Apesar de acreditar na “boa intenção do atual secretário”, Lohanna França (CDN) também criticou a falta de transparência na vacinação. Ela sugeriu, portanto, a publicação, no Diário Oficial, das iniciais ou com parte do CPF dos vacinados na cidade. Dados como grupo prioritário a qual a pessoa imunizada pertence também seriam detalhados para fim de respeito ao Plano Nacional de Imunização (PNI).

— Precisamos aumentar a transparência. (...) Temos poucas vacinas. Todos estão desesperados para voltar à vida normal — argumentou.

Inclusão

Sobre o tema, o vereador Flávio Marra (Patriota) solicitou a inclusão de pacientes oncológicos e padres, pastores e demais líderes religiosos como prioridade na vacinação, juntamente com os cidadãos da terceira idade.

De alguma forma, os pacientes que fazem tratamento oncológico, de hemodiálise, de câncer, sempre estão nos hospitais, eminentes ao risco.Pedimos essa sensibilidade ao prefeito — justificou.

Lohanna, porém, discordou da solicitação feita pelo colega.

— Se todo mundo é prioridade, ninguém é prioridade — afirmou, lembrando que, até o momento, nem todos os profissionais de saúde ainda receberam a primeira dose.

Sem previsão

Em referência a transparência, Zé Braz (PV) explicou que a Semusa tem se esforçado para ampliar a divulgação dos dados referentes à imunização e detalhar melhor o cenário.

— No próximo dia 18 será iniciada a segunda etapa de vacinação do público que trabalham nas unidades de saúde, hospitais, que não foram atendidos como grupos prioritários, mas que talvez não seja suficiente ainda para atender toda a demanda — anunciou.

Conforme explicou a Prefeitura, serão vacinados, por ordem de chegada e conforme disponibilidade de doses, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontólogos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares. Também estão na lista os trabalhadores de apoio, como recepcionistas, seguranças, pessoal da limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias e outros, ou seja, aqueles que trabalham nos serviços de saúde, mas que não estão prestando serviços direto de assistência à saúde.

Zé Braz lamentou a falta de previsão para a chegada de novos lotes.

— Não há nova expectativa para receber mais vacinas.

Ele, porém, parabenizou os cidadãos que, mesmo diante da iminência do Carnaval, não promoveram ou participaram de aglomerações.

— A população deu o exemplo para outras cidades, com o baixo número de festas clandestinas registradas — citou.

Por fim, ele pediu aos moradores que, mesmo com a pandemia covid-19, não se esqueçam de contribuir para o combate da dengue. Apenas no último mutirão de limpeza, agentes de saúde recolheram mais de três toneladas de lixo na cidade, materiais que poderia se tornar ambiente favorável ao mosquito Aedes aegypti.

— É muito importante a limpeza e que a população tenha consciência de não jogar entulho em lotes vagos — finalizou.

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