Falta de lixeira favorece sujeira no Centro de Divinópolis

Ricardo Welbert 

Quem costuma caminhar pelas calçadas da região central de Divinópolis durante o horário comercial certamente já foi abordado por algum distribuidor de panfletos. Esse tipo de publicidade volante é legítimo. Gera empregos diretos e indiretos. Porém, muita gente joga os folhetos no chão. Além de emporcalhar a cidade, parte desse lixo vai parar nos bueiros e prejudica o escoamento da água das chuvas.

Entre as 12h e 14h de ontem, a reportagem do Agora percorreu vários quarteirões da avenida 1º de Junho e da rua Goiás em busca de exemplos desse tipo de prática. Não levou muito tempo até alguém ser visto jogando lixo na calçada. O auxiliar técnico Alessandro Araújo Bernardes, de 32 anos, disse que estava com pressa e deixou o papel cair.

— Na correria, eu nem pensei em parar pra pegar de novo. Mas não tenho hábito de jogar lixo na rua. Aliás, acho que deveria haver mais lixeiras, porque eu já carreguei muito lixo na mão ou nos bolsos porque, às vezes, a gente não vê lixeira por perto — argumentou.

Descuido à parte, a reclamação é pertinente. Em vários pontos das duas vias percorridas, existem lixeiras públicas quebradas. A maioria delas tem buracos nos fundos.

— Não adianta nada jogar o lixo na parte de cima e ele sair por baixo — reclama a vendedora Natália Silvestre, que trabalha em uma loja de calçados em frente a uma lixeira sem fundo. Segundo ela, a patroa já alertou à Prefeitura sobre a necessidade de trocar o recipiente, mas nada foi feito.

A professora Eunice Corgozinho dá aulas de língua portuguesa do 1º ao 4º anos do ensino fundamental. Ela conta que sempre cobra de seus alunos o respeito ao meio ambiente e o descarte correto do lixo.

— Um adulto que chega ao ponto de jogar seus lixos nas ruas certamente não foi bem educado sobre isso na infância. Qualquer pessoa que recebeu e absorveu esse aprendizado faz uso dele na vida adulta. Se não há uma lixeira perto, essa pessoa guarda e leva o lixo consigo até encontrar uma — pontua.

Rotina 

As servidoras da Empresa Municipal de Obras Públicas (Emop) que trabalham na varrição dessas ruas já se acostumaram a usar vassouras para juntar as papeladas espalhadas pelas calçadas e pás para despejá-las nos carrinhos.

— Todo dia a mesma coisa. Um povo porco danado — garante uma delas, que não quis se identificar.

Sugestão 

Uma ideia simples para ajudar a reduzir a quantidade de papéis espalhados pelas ruas de Divinópolis partiu da estudante Gleymara Aquino, de 22 anos.

— Se o governo não disponibiliza lixeiras em quantidades suficientes e das poucas disponíveis muitas estão quebradas, os empresários poderiam colocar cestos em frente aos seus estabelecimentos, para que qualquer pessoa tenha uma lixeira ao alcance. Seria um investimento mínimo, mas com um benefício imenso — sugere.

A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CLD), Alexandra Galvão, diz que a ideia é boa. Porém, existem obstáculos legais.

— A colocação de lixeiras nas calçadas precisa seguir as normas estabelecidas no Código de Posturas do Município. Os comerciantes interessados em instalar recientes fixos ou removíveis em frente aos seus estabelecimentos precisam pedir autorização à Prefeitura. Essa permissão é concedida após a comprovação de que a lixeira não prejudicará a mobilidade urbana — explica.

Gestão 

Questionada sobre as lixeiras quebradas e se pretende elaborar e praticar algum programa de conscientização das pessoas sobre a importância de não jogar lixo nas ruas, a Prefeitura de Divinópolis não respondeu até o fechamento desta matéria, às 17h.

 

 

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