Falta de exames impede definição exata da situação do coronavírus na cidade, afirma médico

Matheus Augusto 

Divinópolis apresenta hoje, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), um quadro preocupante em relação ao coronavírus. O número de confirmações da doença chegou a 38 ontem e os casos suspeitos passam de mil. Não é à toa que o isolamento horizontal ainda permanece para evitar que a situação fique ainda pior. Para analisar o cenário de Divinópolis e Minas Gerais diante do surto da doença, o Agora conversou com o conselheiro do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRMMG) e delegado da Regional da cidade, Eduardo Dias Chula. Segundo o médico, não é possível ter uma previsão exata da situação do estado em razão da falta de exames.

— De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais, em seu último boletim epidemiológico, datado de 15/04/2020, foram confirmados 903 casos da Covid-19 em Minas Gerais, 30 mortes confirmados e 65 óbitos em investigação, ou seja, óbitos suspeitos que aguardam a realização de exames laboratoriais e levantamento de informações clínicas e epidemiológicas. Muito provavelmente estes números são maiores, pois não existe número suficiente de testes laboratoriais para confirmação da infecção — explicou.

Grupo de risco

Conforme detalha o presidente do Conselho Regional, quem faz parte do grupo de risco precisa redobrar as medidas de prevenção.

— Importante salientar que em 78% dos óbitos estiveram associados com comorbidades, ou seja, pessoas portadoras de doenças cardiovasculares,  doença renal crônica, doenças pulmonares, asma brônquica, em tratamento quimioterápico, em uso de medicamentos imunossupressores, entre outras. Por isso estas pessoas, assim como os idosos acima de 60 anos, devem tomar mais cuidado e fazer um isolamento mais rigoroso. A taxa de mortalidade do vírus é maior nestes pacientes, podendo chegar até 11%. (...) A boa notícia é que a taxa de mortalidade da doença é muito baixa nas crianças, adolescentes e adultos jovens sem comorbidades — afirmou.

Medidas preventivas 

O médico também ressalta a importância da manutenção das medidas de prevenção neste momento, devido à expectativa de aumento no número de infectados. 

— De acordo com os estudos epidemiológicos o pico da epidemia em Minas e consequentemente em Divinópolis acontecerá agora nos meses de abril e maio. Daí a importância da manutenção do isolamento social horizontal, este que está ocorrendo. Importante frisar que os dados são muito dinâmicos e podem mudar de uma semana para outra. É claro que se os números forem caindo, o isolamento poderá ser menos rígido, ou seja, liberação de funcionamento para parte do comércio e pessoas que não estejam no grupo de risco (isolamento vertical) — argumentou.

Esforço na Saúde 

Sobre a situação da cidade para lidar com a pandemia, Eduardo Chula declarou que tem percebido o esforço da rede hospitalar em garantir o atendimento adequado aos pacientes com suspeita para coronavírus.

— Todos os serviços de saúde em Divinópolis e, principalmente, os hospitais estão se preparando para atender os pacientes com suspeita da infecção. Leitos de CTI estão sendo reservados para aqueles que precisarem de respirador e leitos de enfermarias para aqueles que necessitarem de internações — frisou.

Profissionais da área 

Para os profissionais de saúde, a recomendação é seguir todos os protocolos de segurança sanitária, a fim de evitar aglomerações e a contaminação dos pacientes e do próprio médicos.

— O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais tem aconselhado aos médicos que continuem atendendo e mantenham suas clínicas e consultórios em funcionamento para o bem-estar da população. Mas que adotem as medidas de precaução, ou seja, que as marcações sejam mais espaçadas, evitando-se  aglomerações nas salas de espera, que os médicos façam uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e que os médicos que se encontrarem nos grupos de risco evitem de atender principalmente nos setores de maior risco, como CTIs e pronto atendimentos — esclareceu.

Consultas adiadas 

A orientação é para que consultas não essenciais sejam adiadas, no entanto, o médico alerta para, em caso de necessidade, as pessoas procurarem os serviços de saúde.

— A população deve entender que consultas que possam esperar devem ser postergadas, mas é importante citar que o medo excessivo em procurar atendimento médico pode muitas vezes ser prejudicial. Citamos como exemplo alguns pacientes com sintomas de infarto agudo do coração que estão ficando em casa devido a este medo de infecção, perdendo a oportunidade de um tratamento precoce e eficiente, podendo evoluir inclusive para a morte — disse.

Itens básicos 

Eduardo Dias Chulas também cita as principais medidas de prevenção no dia a dia.

— O uso de máscaras protetoras é muito importante neste momento, assim como a higienização das mãos com álcool. Deve-se evitar cumprimentos com aperto de mãos e abraços. Deve-se manter um distância de no mínimo 1,8 metros para conversação — destaca.

Sem cura 

Por fim, o conselheiro do CRMMV pede que a população não se desespere em busca de uma cura, visto que, sem a orientação de um médico, a pessoa pode prejudicar sua saúde.

— Não existe ainda uma vacina contra o vírus e nem medicamentos que comprovaram cientificamente serem eficazes no combate à infecção. Muitos medicamentos estão sendo testados em todo o mundo, como a cloroquina. Assim, a recomendação é que deve-se evitar a automedicação. Nos casos confirmados, dependendo da evolução clínica do paciente, o médico poderá utilizar algum destes medicamentos. Mas a indicação deverá ser do médico, e não do paciente. Aqueles que fazem uso de medicamentos cronicamente para controlarem suas doenças não devem suspender estes medicamentos. Citamos como exemplo os medicamentos para controle da pressão arterial. Informações de que o vírus se multiplicaria mais rapidamente nestes pacientes hipertensos ou em pacientes tomando anti-inflamatórios não foram cientificamente comprovadas até o momento, necessitando maiores investigações — finaliza.

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