Falta de aviso não foi

Mais uma novela começa a se desenrolar em Divinópolis: a retirada do camelódromo do quarteirão fechado da Rua São Paulo. O anúncio foi feito pela Prefeitura nesta segunda-feira, e pronto, os defensores da moral e dos bons costumes foram para as redes sociais expressar suas opiniões, carregadas de paixão. Mas vamos aos fatos. O camelódromo foi criado em 2007, pelo então prefeito, Demetrius Pereira. Na época, a proposta era retirar das principais ruas do Centro de Divinópolis os vendedores ambulantes, que dificultavam a passagem de idosos, mães com carrinhos de bebê e deficientes físicos. Quem acompanhou deve lembrar-se, como se fosse ontem, do burburinho que foi quando Demetrius anunciou a construção do camelódromo. Muitos reclamavam do espaço, que era pouco, e das condições que a Prefeitura impunha para se ter um box. Uma delas era não vender, não alugar e não emprestar o box que era cedido para o vendedor ambulante, cada vendedor tinha direito a apenas uma loja.

Mas, como o Brasil é o Brasil, 12 anos depois de sua inauguração, o camelódromo virou um verdadeiro comércio ilegal. Os donos dos boxes descumprem as condições acordadas, bem debaixo do nariz dos fiscais. Teve vendedor que enriqueceu alugando, comprando e até mesmo sublocando os boxes. Eles fizeram um comércio imobiliário bem ali no quarteirão fechado da rua São Paulo, sem contar os produtos ilegais que são vendidos no local, conforme denúncias. A situação já foi revelada por vários vereadores nos últimos anos. E, para piorar a situação, os ambulantes voltaram a tomar conta das calçadas das principais ruas do Centro. Mais uma vez, eles dificultaram o acesso dos idosos, das mães com carrinhos de bebê e dos deficientes físicos. Um verdadeiro teste de paciência é passar pela esquina da rua Goiás com avenida 1º de Junho em um sábado de manhã.

Apesar das constantes denúncias da imprensa, dos vereadores e dos apelos dos comerciantes, foi feita vista grossa e a situação foi mantida até o seu limite. E, como tudo em Divinópolis vira politicagem, até mesmo quem denunciou, quem reclamou da criação e fez apelos para que a situação fosse resolvida, hoje reclama da atitude da Prefeitura. Mesmo com comerciantes que pagam impostos para ter suas lojas, saindo no prejuízo todos os dias, e a dificuldade de acesso nas ruas do Centro, há quem reclame da retirada do camelódromo da rua São Paulo. O nome disso? Hipocrisia. Ou seria politicagem? Falta de aviso que o caso estava chegando ao extremo não foi. De pedir atitudes enérgicas, também não! E aí não tem como entender o povo. Se não faz, reclama, se faz, reclama.

O jeito é apelar para os fatos e pesar na balança os pontos positivos e negativos. Se a atitude da Prefeitura é para tornar o Centro mais acessível e limpo, ótimo. Pois não se pode esquecer também que as mesmas pessoas que utilizam o discurso de “deixa o povo trabalhar” esquecem que ali tem muito mais coisa errada rolando do que se pode imaginar. Falta de aviso não foi.

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