Falso moralismo

É tempo de promessas, penitência e deixar de comer isso ou aquilo. O Carnaval, que são os três dias de festas que precedem a Quarta-Feira de Cinzas, acabou. Milhões de pessoas começaram ontem suas penitências, que duram até o Domingo de Páscoa. Este ritual é bem conhecido e praticado há séculos. Mas, a verdade é que muitas delas se esquecem que a verdadeira penitência, o verdadeiro esforço não está ligado a deixar de comer isso ou aquilo, mas, sim, a deixar de praticar atos que não condizem com o que Jesus Cristo pregou durante sua passagem pela Terra.

Entre os 10 mandamentos, que são um conjunto de princípios e adoração, ainda no Antigo Testamento, está: “Não tomar seu santo nome em vão”. Ou seja, não usar o nome de Deus impropriamente. Porém, o que mais se vê por aí são pessoas roubando e até matando em nome de Deus. A Escritura diz ainda que devemos honrar pai e mãe. Mas, muitas vezes, as mesmas pessoas que deixam de comer carne, doce ou de beber refrigerante durante a Quaresma são as que desrespeitam seus pais em casa. Alguém disse, em algum lugar, uma vez, que a sua religião começa quando você sai da sua igreja, do seu templo, do seu terreiro, ou qualquer outro lugar em que ele esteja. E, sim, essa é a mais pura verdade.

De nada adianta deixar de comer isso ou aquilo, se você não consegue estender a sua mão ao mais necessitado. Mas não é estender a mão pensando em recompensa, não. É estender a mão com amor, com carinho, sabendo que ali você está oferecendo o seu melhor. É verdade que vivemos tempos difíceis e que não sabemos quem é merecedor de ajuda, de amor, mas determinadas atitudes dizem muito mais sobre nós do que sobre os outros.  É preciso empatia, é preciso amar ao próximo como a ti mesmo.

Em Matheus 5: 43-45, Cristo diz: “Tendes ouvido o que foi dito: amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo, sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. É justamente neste momento, neste início de penitência que se deve ser questionado: estou fazendo o Jesus deixou? Ou apenas fingindo ser um bom cristão? Estamos mesmo no caminho de Cristo?

O povo está cada vez mais moralista, mais exigente, mais “correto”, mas também está fazendo a sua parte? Ou apenas seguindo aquele velho ditado: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”? É nítido e notório que a sociedade precisa de uma mudança urgente, e que este falso moralismo não levará ninguém a nada. Apenas andaremos em círculos. Para que a situação mude, será necessário que cada um seja a mudança que quer ver no mundo. É clichê? É, sim! Mas ninguém muda o outro, a gente só pode mudar a gente. Ou pelo menos, antes de mudarmos. O povo precisa se libertar das amarras do falso moralismo e viver a sua religião, a sua fé com amor. Ou apenas viver, mesmo que sem religião, mas com amor. Sem sombra de dúvidas, tudo ficará mais fácil.

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