Falso e verdadeiro

 

Uma casa para simples fins de semana ou de feriadões, ficar a mais de um ou dois quarteirões da própria residência, é um lugar que pode ser considerado longe? Deve ser mais ou menos isto que pensa a família Lula da Silva ou apenas os seus advogados. Um sítio em Atibaia, com lagoas, parquinhos, muitas árvores frutíferas, uma reserva florestal intacta, telefone, internet, televisão, piscina, área de churrasco etc, distante da residência menos de 80 km e 15 minutos de helicóptero, é realmente longe.

Realmente longe! Tão longe que a família foi por lá nos últimos 3 anos, no mínimo 111 vezes, conforme registro que a PF conseguiu nos pedágios. Ninguém viu Lula nos carros, ou sequer ficou sabendo de algum pouso de helicóptero. Mistério!!!

Nem mistério e nem ilusão de ótica, tudo é falso, pois não há registros palacianos destes passeios, porque nunca foram agendados e, se não foram agendados, eles nunca aconteceram. Esta é a lógica. O sítio não é do ex-presidente porque não tem escritura em seu nome, assim como ele não foi lá esse tantão de vezes porque também não houve registro, certo? — Errado. Tão errado quanto dois e dois são cinco, como na música do indefectível Caetano Veloso.

Por aqui, o outro indefectível vereador e líder do prefeito Galileu Machado (PMD), Rodrigo Kaboja (PSD), quer provar — agora aceitando até que seja aberta uma CPI — que o seu chefe não fez nada demais. De fato, Galileu não fez nada demais, apenas mandou para a Câmara um projeto que foi aprovado pela ausência e falta de alguns vereadores, por medo ou sabe-se lá por que, apenas para que sua filha e quem mais ele quiser, inclusive os parentes dos próprios vereadores “aprovantes”, possam usufruir das bondades do poder.

Parece meio complicado de entender, mas não é. A lei já beneficiava Galileu, que não se sabe também por que resolveu que ela deveria ser passada pelo crivo da Câmara Municipal. Aprovada como realmente foi, tudo bem, além de legal, é imoral, mas não engorda. Só que se esqueceram de combinar a brincadeira com o Ministério Público, que já tinha entrado na jogada.

Não satisfeito, o velho conhecido e grande marqueteiro Marcelo Marreco ficou de fora das nomeações para algum cargo na Prefeitura, como obviamente lhe teria sido oferecido. Um ano depois e Marreco continua sem o posto na administração. Assim, espalhou que iria pôr a boca no trombone e logo alguns aparecidinhos entraram na questão para resolver a questão. Foi aí que aconteceu o grande erro. Galileu não é um mau sujeito, muito pelo contrário, mas escalou uma pessoa que lhe derrubou, com telefonemas e que, até em prova em contrário, teria lhe sugerido um telefonema do prefeito para Marreco.

Esperto e velho conhecedor dos arranjos dentro da Prefeitura, deve ter sido aconselhado a fazer gravações. Aí a casa caiu e todo mundo foi parar nas redes sociais, na TV e nos jornais. Resultado: o vereador Edson de Sousa (MDB) pediu a instalação de uma CPI, que foi assinada por sete vereadores (são necessários apenas seis) e agora a Associação dos Advogados do Centro-Oeste também está fazendo o mesmo pedido. Enquanto isso, o MP espera de boca aberta.

Entre Lula e Galileu, seus atos e fatos, além de alguns vereadores, ninguém pode afirmar quem é falso ou verdadeiro, ou quais são as suas reais intenções. Desde que isto seja possível, claro.

 

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