Falou-se muito, e nada

Mais de 24 horas depois do programa “Roda Viva” da TV Cultura desta segunda-feira, quando o entrevistado foi Jair Bolsonaro, os políticos e os jornalistas mais experientes se deram conta da bobagem que tentaram fazer ao candidato. Um político com mais de 30 anos de experiência, que conhece todos os atalhos da política e que já estava sabendo de tudo que lhe seria perguntado, não poderia ter sido entrevistado, ou melhor, interrogado por meia dúzia de jornalistas mal preparados, fracos, sem desenvoltura e argumentos.

Foi mais de uma hora de “entrevista” de um candidato a candidato a ser massacrado, por um grupo de gente que deveria ter sido escolhida e preparada de acordo, pois o único objetivo de todo os jornalistas ali presentes — ao que tudo indica, de esquerda — era “acabar” com o candidato em todas as suas feições.

Esqueceram de um detalhe, isto a partir de Ricardo Lessa, o apresentador do programa, ele mesmo um legítimo representante da antiga extrema esquerda e um dos criadores de um jornal ligado ao MR8: Bolsonaro fala a língua que o povo quer ouvir. De forma até imbecil, Lessa recorreu à Wikipédia para fazer uma pergunta, coisa que um jornalista que se diz como tal e que dirige um programa que sempre foi sério antes dele jamais faria.

Com certeza, os jovens da Veja, Valor, O Globo e Estadão, escalado para emparedar Bolsonaro não esperavam sair do programa de forma tão humilhante. Foi tão grotesca a falha jornalística do programa que ontem, durante todo o dia, trechos da entrevista eram reproduzidos com memes de altíssima gozação, para usar o termo mais coerente com incapacidade demonstrada durante todo o programa, menos para a jornalista Maria Cândida Fernandes, do Jornal Valor.

O jornalista Marco Antonio Villa, que já teve vários entreveros com Jair Bolsonaro, simplesmente detonou os entrevistadores, além do apresentador Ricardo Lessa:

— É impressionante o despreparo dessa turma, todos precisam voltar para os bancos escolares para estudar um pouco mais e poder participar de um programa de tamanha envergadura e responsabilidade — detonou.

Pesquisas mostram que o programa gerou a segunda maior audiência de 2018 da TV Cultura. Revelaram também que, no momento da entrevista, a emissora era uma das mais comentadas do mundo no Twitter. Falou-se muito, e nada foi dito.

O agora candidato continuou com o mesmo discurso de sempre, afirmando constantemente que fará o que tem pregado. Ganhou o candidato, perdeu o jornalismo.

 

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