Falar menos e fazer mais

Enquanto a China esfregou na cara do Brasil inteiro que quando se quer é possível fazer – ao construir um hospital com mil leitos em dez dias – a novela do Hospital Público Regional Divino Espírito Santo parece estar longe de ter um fim, como dissecado, neste espaço na edição de ontem. Em junho de 2020, faz dez anos que a obra teve início. A promessa era de que a construção seria entregue em 2012, prazo que depois passou para 2014, e, em seguida, 2016, mas hoje se deteriora em meio ao tempo. Em abril faz exatos quatro anos que o Governo do Estado não manda um centavo para a construção. Ao todo, já foram gastos R$ 60 milhões no empreendimento, que está 60% pronto, e deveria custar em torno de R$ 100 milhões. A verdade é que a obra inacabada virou palanque político. Foi dali que muitos candidatos conseguiram se eleger – e até mesmo se reeleger – por meio da velha promessa de pelo menos ajudar a acabá-lo.

As tentativas já foram inúmeras, mas todas em vão. As mais promissoras surgiram em 2019, logo após Romeu Zema (Novo) assumir o Executivo Estadual. A primeira delas foi a de que o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento Dos Serviços de Urgência e Emergência (CIS-URG Oeste) – que administra o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – terminaria a obra e assumiria a gestão do hospital. A proposta do Cis-Urg é unir recursos municipais, estaduais, federais e privados para colocar unidade em funcionamento ainda este ano. O Consórcio apresentou um projeto para o Governo de Minas no qual define desde o perfil de atendimento do hospital até a forma de captação de recursos para a finalização da construção. Aquela pontinha de esperança surgiu no coração. Afinal, 54 cidades serão beneficiadas pelo hospital em funcionamento. Vidas serão salvas.

Até aí tudo bem, era apenas questão de o governador “bater o martelo” e dizer: o hospital é seu, pode terminar. Mas, como no Brasil nada é simples, há poucos dias, o vice-prefeito de Divinópolis, Rinaldo Valério (DC), saiu com a que seria a informação mais nova sobre o assunto. A de que a Vale pode assumir a responsabilidade de terminar as obras do Hospital Público. Segundo Rinaldo, a ação seria uma compensatória ao Estado devido aos estragos provocados pelo rompimento da barragem em Brumadinho. Porém, logo depois, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) tratou de desmentir a informação e disse apenas que um grupo de trabalho havia sido instituído para promover estudos e propor medidas com o objetivo de viabilizar a implantação dos 11 hospitais regionais espalhados por Minas Gerais. Apesar de tentarem “negar as aparências e disfarçar as evidências”, o deputado federal Fabiano Tolentino revelou ontem que a medida tem ganhado força no Executivo Estadual.

A verdade é que tanto faz como tanto fez quem vai terminar a obra. O mais importante é finalizar e colocar o hospital em funcionamento, com profissionais salvando vidas. O importante é se dar um passo rumo à evolução, trabalharmos sem politicagem para que uma obra tão importante seja entregue e o povo usufrua. O importante é impedir que políticos possuam a obra e exijam o “teste de DNA” da construção, é falar menos e fazer mais.

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