Fake news

É motivo de preocupação no mundo inteiro a disseminação de notícias falsas, as chamadas “fake news”, provocadas pelo “boom” da informação. Na contramão desta realidade doentia, especialistas em comunicação estão de cabelo em pé. A tentativa é para equacionar a matemática que garanta a sustentação do segmento que exige conteúdo de qualidade — o que só é possível se produzido por profissionais preparados — e o combate à irresponsabilidade nas redes sociais.

No fim de semana, um restaurante em Belo Horizonte “viralizou” negativamente por causa da presença da ex-presidente Dilma Rousseff. Candidata ou não ao Senado em Minas, mas apeada do poder de forma constrangedora, a petista foi surpreendida por um garçom que lhe rendeu homenagens em forma de sobremesa. Imediatamente o ato caiu nas redes e gerou manifestação de repúdio. Minutos depois, o proprietário da casa gravou um vídeo, se desculpando pela “falta de maldade” do funcionário, mas o estrago já estava feito. Cultuada pela excelência da culinária, a grife levou pancadas de todos os lados e não se sabe ainda o tamanho do estrago na imagem da empresa. 

O fato é que comunicação não é para amadores e os pontos negativos, agora se sabe, têm destruído reputações de forma assustadora. Neste embalo, profissionais da área fazem das tripas coração para conter a exigência da instantaneidade, fato que leva à falta de apuração de qualidade. Confusa, a sociedade sofre com o excesso de informação ao mesmo tempo em que deixa de questionar, o que é péssimo para a democracia.

Em Divinópolis também há crise de identidade e de confiabilidade, com a proliferação do público cada vez menos crítico, que se contenta e dissemina as rápidas e irresponsáveis pinceladas de acontecimentos vitais ao contexto social.

Não há motivos para acreditar que a mídia contemporânea possa melhorar em curto prazo, pois a tentação do público pelos fake news, a preferência pela velocidade da notícia ao invés da qualidade e as demissões provam a gravidade do momento. Resta aos profissionais da área lutar para mudar um pouco este quadro de desânimo e descrença na área essencial para a formação de opinião e cidadania.

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