Fake news pautam destinos de eleições

 

 

Maria Tereza Oliveira

Protagonistas deste pleito, as fakes news estão mais presentes do que nunca. Ao abrir as redes sociais, as pessoas são bombardeadas por notícias falsas vindas de todos os lados. Muitas vezes acabam espalhando boatos e causando reações em cadeia.

Com a facilidade que a tecnologia e as redes sociais proporcionaram, o acesso à informação e opiniões são livres. Apesar de ter trazido inúmeros benefícios, algumas consequências surgiram.

Nos últimos meses, o fluxo de boatos teve aumento exorbitante. Durante a disputa eleitoral, surgem a cada dia inúmeras notícias falsas sobre os dois candidatos à presidência. A situação chegou a níveis alarmantes e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve de intervir e excluir fakes news denunciadas.

Mesmo com a ação, não é garantido que todas as notícias falsas sejam excluídas e, sobretudo, não há como assegurar que as pessoas que consumiram às informações erradas terão acesso à verdade.

 Política 

Em entrevista recente ao Agora, o vereador Eduardo Print Júnior (SD) falou sobre a influência das fakes news em resultados de eleição.

— Um boato se espalha de maneira muito rápida. As pessoas muitas vezes compartilham coisas sem nem ao ler o texto por completo. Uma fake news viraliza em três horas e leva três meses para ser desmentida — comparou.

 Graças ao fenômeno, muitos candidatos sofreram e ainda sofrem com as consequências dos boatos. Em alguns casos, gastam mais tempo desmentindo fake news do que apresentando suas propostas.

Na maioria dos casos, quem espalha os boatos do candidato A são apoiadores do candidato B e vice-versa. Porém, em alguns casos os próprios candidatos espalham fake news para desmoralizar os adversários.

 Povo fala 

Mas como reconhecer as fake news? O Agora foi às ruas e ouviu representantes da população sobre o assunto, para saber quais as táticas adotadas pelas pessoas para driblar os boatos. O motorista Jackson Silva de Almeida contou que usa principalmente a internet e a televisão para se informar sobre política.

— Eu tenho medo das fakes news e por isto procuro me informar do que é certo. Se eu tenho dúvidas, vou procurar saber — explicou.

Ele acredita que, embora a informação tenha sido facilitada, as pessoas têm preguiça de apurar a veracidade das notícias.

— A maioria do pessoal está caindo nas fakes news porque acredita em tudo o que vê — opinou.

Para a comerciante Maria José de Freitas, as notícias falsas se alastram porque as pessoas compartilham informações sem checar as fontes.

— Me informo através do jornalismo em todas mídias, como rádio, TV, impresso e internet — contou.

Ela disse que a briga entre direita x esquerda fomentou a criação de fakes news e disse a disputa pode influenciar no resultado das eleições.

— É preocupante porque muitas pessoas podem ter o voto influenciado por mentiras e acabar se arrependendo do futuro que escolheu para si — considerou.

 Acordo

 Com o intuito de minimizar a influência das fakes news, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, realizou ontem uma reunião com os coordenadores das campanhas dos presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Dentre as ações para coibir as notícias falsas, o tribunal já chamou os partidos a assinarem um acordo contra elas, reforçou a equipe que monitora a prática. A tentativa da vez é fazer um pacto entre os dois candidatos para evitar a disseminação de fake news.

Haddad chegou a propor um acordo com o adversário para evitar os boatos. Entretanto, Bolsonaro recusou, via mídias sociais.

 Ações 

No último dia 11, o TSE lançou uma página na internet para ajudar a esclarecer o eleitorado brasileiro sobre as informações falsas disseminadas pelas redes sociais.

Conforme divulgou em seu site, no entendimento da Justiça Eleitoral, a divulgação de informações corretas, apuradas com rigor e seriedade é a melhor maneira de enfrentar e combater a desinformação.

Através do link https://bit.ly/2OYvBUw o cidadão pode acessar informações que desmentem fakes news.

De acordo com o TSE, todos os relatos de irregularidades que chegam ao conhecimento do tribunal são encaminhados para verificação por parte dos órgãos de investigação, especialmente Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal. A finalidade é garantir a verificação de eventuais ilícitos e a responsabilização de quem difunde conteúdo falso.

O TSE afirmou que a participação da sociedade é fundamental no processo de conscientização.

 

 

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