Fake news, o perigo

O termo “fake news” nunca foi tão usado no Brasil quanto nos últimos meses. As palavras — que, traduzidas para o português, significam “notícia falsa” —tomaram conta das eleições majoritárias, com acusações de todos os lados, e seguem povoando a internet. Nesta semana, Divinópolis teve um exemplo clássico de “fake news”, que, por pouco, não causou um grande estrago na cidade. A corrente da notícia falsa começou por sua rede social “favorita”: o WhatsApp. A mensagem informava que o diretor do consórcio TransOeste, Felipe Carvalho, e o prefeito Galileu Machado (MDB) haviam autorizado a retirada de circulação de 80% das linhas de ônibus e a demissão de 400 funcionários. A coisa ganhou proporção e foi parar em um dos maiores grupos de vendas de Divinópolis, no Facebook.

A reação veio em comentários do tipo: “vamos começar a quebrar os ônibus, só assim para resolver”. E a confirmação se apresentava dessa forma: “essa notícia é verdade, porque hoje eu peguei um ônibus que não tinha trocador”. Pois é, desde 2013, várias linhas não dispõem mais do serviço de trocador, mas a população percebeu a retirada somente nesta semana? Irreal, surreal. Ao que tudo indica, em nenhum momento alguém se perguntou: “mas, se retirar 80% das linhas de ônibus, como uma cidade do porte de Divinópolis sobreviveria com apenas 20% dos veículos do transporte público?”. É chegado o tempo de autoanálise.

E, se cabe ao povo esta autoanálise, cabe ao bom e velho jornalismo continuar na luta contra a disseminação de notícias falsas. É um trabalho de formiga. Todo dia, uma “fake news” precisa ser desmentida. Todo dia, a verdade precisa ser dita e, assim, a vida segue: dia após dia, edição após edição, post após post. Engana-se quem pensa que a luta é única e exclusivamente contra quem não tem nada para fazer e sai inventando esses fatos que alarmam a população. É preciso atenção também àqueles que são os representantes do povo e parecem estar cada dia mais especializados em utilizar o termo “fake news” quando alguma notícia que não os agrada é publicada.

Nesta terça-feira, 15, vários veículos de comunicação, de nível local e estadual, publicaram uma nota da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) informando que havia sido negado o pedido do deputado Cleitinho Azevedo (PPS) de “morar” na Casa. Ontem, logo após a repercussão da matéria, o parlamentar tratou de divulgar uma nota em suas redes sociais, dizendo que a notícia era “fake news”. O deputado afirmou que não tinha intenção de morar na ALMG, mas apenas instalar um chuveiro e colocar uma cama em seu gabinete.

Afinal, o ex-vereador quer ou não quer ficar na Assembleia quando precisar passar a noite na capital mineira? A ALMG negou ou não negou o seu pedido de pernoitar no local, quando fosse preciso? A imprensa noticiou suas falas como foram ditas, ou não noticiou? A imprensa reproduziu na íntegra o posicionamento da Assembleia, ou não?

Senhoras e senhoras, a verdade é que o jornalismo vive um de seus tempos mais difíceis depois da ditadura.

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