Fábrica em Cláudio é acusada de produzir cerveja que pode ter matado homem

Militar de 61 anos morreu em Juiz de Fora; empresa diz que bebida não contém substância tóxica

Bruno Bueno

Quem consome bebidas alcoólicas, especialmente cervejas, ficou assustado com as notícias de ontem. Segundo informações do jornal O Tempo, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está investigando a morte de um homem de 61 anos, que morreu no último dia 27, intoxicado com a substância dimetil glicol. O óbito ocorreu no Hospital Albert Sabin, em Juiz de Fora.

Conforme a corporação, existe a possibilidade de que o militar tenha contraído a substância após ingerir dois latões de cerveja, entre os dias 7 e 8 de maio. Ele apresentou sintomas de intoxicação e foi até o hospital no dia 9, mas acabou liberado. Quatro dias depois, segundo a família, foi internado, sendo intubado no dia seguinte. A bebida, que pertence à marca Brussels, tem sua fábrica situada na cidade de Cláudio, distante 63 km de Divinópolis.

Polícia Civil

O Agora procurou o Departamento da Polícia Civil de Juiz de Fora, responsável pela investigação. Em nota divulgada pela assessoria de comunicação, afirmou que as primeiras testemunhas devem ser ouvidas ainda nesta semana.

— Conforme informou a delegada responsável pelo caso, Mariana Veiga, um inquérito policial foi aberto para apurar o fato, diligências estão sendo realizadas e testemunhas devem ser ouvidas nesta semana. Ainda segundo a autoridade policial, ela aguarda relatórios médicos relativos ao atendimento da vítima, a conclusão do laudo de necropsia e solicitou também informações junto à Vigilância Sanitária, que recolheu material na casa da vítima. As investigações prosseguem — disse.

Brussels 

Depois de muitas tentativas, a empresa respondeu à reportagem e afirmou, por meio de nota divulgada, que não utiliza a substância que matou o PM em sua cerveja.

— A empresa informa que, em consonância com as normas vigentes, utiliza apenas álcool etílico potável para o sistema de resfriamento, na concentração de 18%. Destaca ainda não fazer uso de nenhuma outra substância, em qualquer parte do processo, fato esse comprovado pela inspeção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) — informou.

Leonardo, um dos produtores da cerveja na cidade, também negou que a cervejaria tenha sido a causa da intoxicação.

— Não tem relação. A cerveja não contém essa substância, utilizamos apenas uma porcentagem de álcool etílico potável e só. O dimetil glicol jamais foi utilizado em nossa fabricação — disse.

Colaboração

Por meio da assessoria de comunicação, a Brussels informou ao Agora que vai colaborar na investigação, caso for solicitado.

— A empresa vai colaborar, isso é óbvio. Não temos nada para esconder, a substância não existe em nossos produtos, está comprovado nos laudos técnicos emitidos pelos órgãos competentes. Não há investigação sobre nossa empresa até o momento — explicou.

 

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