Extrema pobreza cresce 275% em Divinópolis

Da Redação

O número de famílias que vivem em situação de extrema pobreza em Divinópolis aumentou assustadoramente no último ano. De acordo com dados da Secretaria de Assistência Social, mais de quatro mil famílias estão cadastradas no Município como “em situação de extrema pobreza”, ou seja, quando a renda per capita mensal não ultrapassa R$ 85 por pessoa.

As estatísticas apresentam um aumento considerável quando comparadas com o ano passado. Segundo os dados da secretaria, entre 2016 e 2017, 1.072 famílias viviam em situação de extrema pobreza. O número saltou para 4.024 neste ano. Para se ter ideia da gravidade e do avanço da situação, em 2013, pouco mais de 100 famílias enfrentavam esse cenário.

Ainda de acordo com dados da secretaria deste ano, outras 7.252 famílias estão cadastradas em situação de pobreza, 14.137 como “baixa renda”, e outras 8.070 como “acima de meio salário mínimo”, ou seja, que vivem com pouco mais de R$ 500.

Atendimento

Segundo a Prefeitura, as famílias em situação de extrema pobreza são atendidas pelo Centro de Referência em Assistência Social (Cras), unidade de proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O objetivo é prevenir a ocorrência de cenários de vulnerabilidade e riscos sociais nos territórios por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e da ampliação do acesso aos direitos de cidadania.

— O Cras tem como público prioritário os beneficiários da assistência social, como o programa Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada [BPC] e outros benefícios, ou ainda famílias em situação de vulnerabilidade social devido à fragilização dos vínculos familiares ou com a comunidade — explica o Executivo.

A principal atividade do Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, desenvolvido principalmente em grupos e que busca a participação da família para promover orientações e prevenir situações de vulnerabilidade ou violência.

Já o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos tem como intuito reunir crianças, adolescentes e idosos para o desenvolvimento de ações em grupos visando à prevenção a situações de vulnerabilidade e violência. Constituem-se em espaços de convivência e fortalecimento de vínculos com a comunidade.

Nacional

De acordo com dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada ontem pelo IBGE, a extrema pobreza atingiu 13,5 milhões de pessoas no Brasil e chegou ao maior nível em sete anos. Segundo o SIS, em 2018, o país tinha 13,5 milhões pessoas com renda mensal per capita inferior a R$ 145, ou U$S 1,9 por dia, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza. Esse número é equivalente à população de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal.

O gerente do Estudo, André Simões, ressalta que são necessárias políticas públicas para combater a extrema pobreza, pois ela atinge um grupo mais vulnerável e com menos condições de ingressar no mercado de trabalho.

— Esse grupo necessita de cuidados maiores que seriam, por exemplo, políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho. É fundamental que as pessoas tenham acesso aos programas sociais e que tenham condições de se inserir no mercado de trabalho para terem acesso a uma renda que as tirem da situação de extrema pobreza — reforçou Simões.

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