Excesso de proteção faz mal!

 

“Uma pessoa só cresce quando é capaz de superar as dificuldades. Proteção é importante, mas há certas coisas que deve-se aprender por esforço próprio.” Jiraya (Naruto)

Proteger os filhos é um instinto natural de todo pai e mãe. No entanto, quando o zelo se torna excessivo, o desenvolvimento dos pequenos pode ficar seriamente comprometido.

Os cuidados exagerados dos pais podem ter impacto direto na autoestima dos pequenos, que passam a se observar como incapazes, fracos e frágeis. Essas crianças aprendem que os adultos devem cuidar delas e protegê-las, pois há algo de muito ameaçador no mundo e que devem ter cuidado sempre. Boa parte das crianças e adolescentes brasileiros vivem como dentro de uma bolha, protegida dos aspectos da realidade. É preciso dar-lhes autonomia, porque o maior risco é criar uma geração despreparada para a existência. 

A preocupação com a segurança da prole é de ordem biológica: sem ela, nenhuma espécie animal conseguiria reproduzir-se e perpetuar-se. No âmbito humano, durante milhares de anos, os cuidados com as crias seguiram o padrão dos mamíferos em geral: eram interrompidos quando elas começavam a tornar-se capazes de alguma autodefesa e de ajudar seus pais na obtenção de comida. Atualmente vivemos em um mundo líquido, onde tudo é acelerado e fomos condicionados a provar nosso amor a partir das nossas preocupações.

Há, no entanto, um limite entre a preocupação aceitável e a excessiva, que pode fazer mais mal do que bem a uma criança ou adolescente. Os pais superprotetores valem-se de recursos tecnológicos, como o celular, e não veem problema nessa invasão de privacidade. Íntimos como nunca de seus filhos, eles se utilizam dessa proximidade de amigo justamente para controlá-los. E abandonam a parte mais difícil da paternidade, que é deixá-los seguir em frente.

Pais que adotam a estratégia da vigilância irrestrita ignoram uma peça-chave do desenvolvimento humano: a autonomia, que é a capacidade de fazer escolhas e também de aceitar seus próprios limites e reconhecer que, não raro, as escolhas podem estar erradas.

Como efeito colateral da superproteção, os especialistas em educação infantil começam a notar um aumento no número de crianças ansiosas e inseguras. A dependência criada está na raiz da baixa autoestima. Essa superproteção causa um alto nível de estresse na criança, pois ela ficará sempre em alerta e com receio de algo. Além disso, impede a exploração o mundo e o aprendizado por meio das próprias experiências. Essas barreiras podem acarretar um atraso no desenvolvimento motor, como demora para andar ou falar, uma vez que não precisam treinar essas habilidades, pois os pais fazem por ela.

Um pai pode e deve estimular seu filho a ter atividades extracurriculares. Mas o excesso não deixa de ser um ato de superproteção e, como tal, não faz bem.

O excesso de limites ou a falta deles é igualmente prejudicial à criança. De acordo com especialistas, realizar pequenas atividades domésticas ajuda a criança a ter autonomia, treinar para a vida, ter responsabilidade e perceber-se como capaz. Os limites dão contorno à criança, pois é o que dá a medida do que ele pode ou não fazer.

- Tenha consciência de que seu papel é o de preparar o filho para viver na sociedade. Para isso, ensine-o a conversar com as pessoas, tomar a iniciativa, realizar atividades sozinho, pedir ajudar, colaborar, ouvir, falar e explorar. Tudo é feito por meio da experimentação, logo, os pais precisam permitir isso aos seus filhos.

- Proteger é responsabilidade dos pais, mas tudo que é demais não é saudável. A vida depende do equilíbrio. Para tanto, os pais devem orientar, dar modelos adequados, e não podá-los, não fazer por eles.

- Falar, perguntar, explicar e descrever são as ferramentas mais preciosas na educação das crianças. Dessa forma, invista no diálogo, na orientação e fique próximo aos filhos. No entanto, permita que eles mesmos façam as experimentações.

Se você quiser ter um filho com possibilidade de ser feliz e realizado, proporcione a ele a liberdade possível em cada etapa de sua vida.

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