Ex-assessor de vice-prefeito desmente acusações de traição

Maria Tereza Oliveira

Desde a votação das denúncias contra o prefeito Galileu Machado (MDB), um assunto tem gerado discussões no cenário político divinopolitano. Tudo começou após Eduardo Print Jr. (SD) alegar ter sido procurado pelo vice-prefeito Rinaldo Valério (DC), e Dr. Delano (MDB) dizer que o assessor de um vereador tentou um encontro entre ele e o vice. Ambos deixaram subentendido que o intuito era a negociação de votos para a derrubada do prefeito. A principal consequência desta história, até o momento, foi a exoneração de servidores que possuem relação com Rinaldo. Desde que o assunto veio à tona, o secretário de Esportes e Juventude (Semej), Everton Dutra, e os assessores do vice-prefeito, Olinto Guimarães Neto e Marta Helena Tavares, foram exonerados de seus cargos.

O Agora conversou com Olinto, que fez revelações exclusivas sobre a situação e alegou que Rinaldo Valério é vítima de uma trama maior.

Encontros

A reportagem             questionou o ex-assessor do vice-prefeito sobre o que ele sabia dos supostos encontros entre Rinaldo e os vereadores. De acordo com Olinto, durante o tempo em que ele esteve no gabinete do vice-prefeito, não ouviu conversas de Rinaldo com qualquer vereador.

— A não ser na famigerada noite antes da votação do impedimento do prefeito, na qual o vice pediu que o levasse à casa do vereador Eduardo, uma vez que não poderia deslocar para lá no carro oficial — revelou.

Ainda conforme contou Olinto, o intuito da visita de Rinaldo seria para desmentir a história de que ele teria pedido votos contra o prefeito aos vereadores.

— Os assessores de um vereador me disseram que um tal de Ricardo procurou o vereador líder do Governo para pedir a ele – em nome do Rinaldo – que votasse a favor do impedimento do prefeito. Disse que já tinham 11 votos e ele seria o 12º, e que o Rinaldo lhe daria secretarias — salientou.

O ex-assessor defendeu Rinaldo, dizendo que conhece a índole, o caráter e a honestidade dele.

— Fui até Rinaldo para informar isso. Sua ida [à casa de Print] se deu exclusivamente para dizer ao vereador que não pediu voto para ninguém e esperava que isso não chegasse ao prefeito porque eram muito amigos e ele tinha certeza de que Galileu era e é inocente — defendeu.

Exonerações indigestas

Olinto é um dos assessores de Rinaldo que foram exonerados após a visita se tornar pública. Questionado pela reportagem sobre como eles foram avisados sobre as destituições dos cargos, ele insinuou uma possível vingança por parte do prefeito.

— Não sou mais chefe de gabinete do vice-prefeito, tendo em vista que fui exonerado pelo meu amigo “Mané”, pseudônimo carinhoso do ilustre prefeito que age como aquela mulher que queria matar a mãe. Como não pôde, matou filha — comparou.

Ele salientou que as pessoas exoneradas foram as que o vice indicou.

— Hombridade passa longe da Prefeitura. Lá simplesmente se exonera. Inclusive, há pessoas que trabalham após a exoneração e não recebem — alegou.

Olinto ainda afirmou que, como o prefeito não pôde atingir Rinaldo, exonerou todos ligados a ele.

— O vice ficou apenas com um funcionário no gabinete, que fazia um trabalho maravilhoso, atendendo a população que a família Machado Gontijo não atendia — alfinetou.

De acordo com o ex-assessor, haverá mais exonerações.

— Agora terão outras mais para vagar cargos de comissionados para que os vereadores indiquem — acusou.

Galileu x Rinaldo

Após o assunto ganhar repercussão, Galileu e Rinaldo tiveram uma conversa sobre o assunto. Conforme afirmou Guimarães, o vice-prefeito teria dito ao chefe do Executivo que não havia pedido mudança de voto ao vereador.

— Para provar isto, ele [Rinaldo] pediu ao prefeito que fizesse uma acareação entre os dois. Ele explicou que nunca trairia o prefeito. Por que Galileu não fez a acareação? A política instalada na Prefeitura é "se não for eu quem faço, mais ninguém faz". A trama foi feita. A isca lançada e, infelizmente, ou felizmente, Rinaldo a mordeu — lamentou.

Influência da mídia?

O ex-assessor também criticou a atitude de um jornalista da cidade antes mesmo de o assunto ser levado à tribuna.

— A armação estava muito bem feita, a ponto dele, estranho à cidade, ter sido avisado que Rinaldo iria à casa do vereador. Deste modo levado o jornalista a transformar uma conversa entre políticos em suposto golpe — acusou.

Olinto alegou achar estranho que Galileu tenha “condenado” Rinaldo.

— Parece que tem raiva de vice. Quando teve o simpático e caridoso Márcio, o escorraçou; a caridosa e carismática dona Maria Martins foi tão humilhada que sequer voltou à Prefeitura, doando seu salário para entidades de caridade. Agora, por fim, Rinaldo, que foi jogado aos leões por uma turma que vem usurpando Divinópolis há muito tempo — criticou.

De acordo ele, Rinaldo não tem intenção de deixar o cargo.

Visita inesperada

Eduardo Print, que presidiu a Comissão Processante, revelou que menos de 12h antes da reunião ele foi procurado pelo vice-prefeito, Rinaldo Valério.

— Até então, ele nunca havia ido à minha casa. Eu o alertei, antes de ele me falar o que queria, para que tivesse cuidado com suas palavras — contou.

Conforme Print relatou, após o aviso, Rinaldo teria dito que não acreditava que Galileu tivesse cometido qualquer crime e que o chefe do Executivo está sendo perseguido pela oposição. 

— Ainda alertei ao Rinaldo que estavam o usando de isca para a campanha do ano que vem. Se o vice-prefeito estivesse realmente preocupado com a cidade, iria mais à Prefeitura, onde não vai há mais de seis meses — alfinetou.

Prefeitura

Sobre as exonerações, o Executivo esclareceu que tanto as nomeações de cargos comissionados quanto as destituições são feitas pelo prefeito, que julga quais cargos devem ser mantidos ou não.

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