Ex-aliado de Galileu que divulgou gravações rebate críticas vereadores

Pollyanna Martins

Marcelo Máximo de Morais, mais conhecido como Marcelo Marreco, ex-aliado do prefeito de Divinópolis, Galileu Teixeira Machado (MDB), rebateu as declarações vereadores Rodrigo Kaboja (PSD) e Delano Santiago (MDB) feitas na reunião de quinta-feira, 3. Os parlamentares fizeram as críticas após Marreco divulgar as gravações de supostos telefonemas entre ele e Galileu, e também com o editor do Divinews, Geraldo Passos, nos dias 24 e 25 de abril. 

As supostas ligações telefônicas gravadas por Marcelo Marreco incendiaram a política de Divinópolis. Os vereadores saíram em defesa do prefeito, que oferece, em um desses supostos telefonemas, um cargo comissionado para seu ex-aliado e afirma ainda que, após nomeado, ele não precisaria trabalhar. Além de apresentar as gravações, Marcelo Marreco divulgou também a cópia do decreto de sua nomeação, assinado por Galileu e pelo secretário municipal de Governo, Roberto Antônio Ribeiro Chaves.  

Logo depois das denúncias feitas pelo ex-aliado de Galileu, Delano e Kaboja, líder do governo na Câmara, criticaram Marreco na reunião ordinária do dia 26 de abril. Em seu discurso, Delano disse que, através da Tribuna Livre, estavam tentando atingir os Poderes Legislativo e Executivo, e até mesmo o Judiciário, por meio de uma armação. O vereador disse ainda que a população deve ficar atenta para situações desta natureza e que estariam fazendo uma tortura psicológica com o prefeito e os vereadores. O parlamentar chegou a afirmar que a Câmara não tinha que instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias, sem as gravações estarem devidamente periciadas. Isso foi dito antes de ele voltar atrás e assinar o requerimento para a criação da comissão.  

Em seguida, o líder do governo na Casa, Rodrigo Kaboja também defendeu o prefeito. Em seu pronunciamento, Kaboja perguntou qual o histórico do cidadão que havia levado as gravações a público e reforçou que elas precisavam ser periciadas, para saber se havia tido algum tipo de manipulação. 

O parlamentar questionou também o que estaria por trás do que ele chamou de encenação e com qual objetivo. Não satisfeito, Kaboja voltou a defender Galileu, na reunião ordinária dessa quinta-feira, 3. Em seu pronunciamento, o vereador pediu ao presidente da Câmara que instaure a CPI para investigar as supostas gravações.  

— A respeito deste debate político que tomou páginas de jornais impressos e virtuais, e que estão criando artificialmente uma crise envolvendo o prefeito e um cidadão que apresentou gravações de uma conversa, ocupo esta Tribuna para pedir para aos vereadores, principalmente ao presidente da Câmara, vereador Adair [Otaviano/MDB], que aprove a constituição desta CPI para investigar os fatos aqui apresentados — solicita.

O embate 

Após as declarações dos vereadores, Marcelo Marreco desafiou os parlamentares a enviarem as gravações apresentadas por ele para a perícia. O ex-aliado de Galileu afirmou ainda que os vereadores estariam querendo mudar a situação, colocando o prefeito como santo, e ele como errado.  

— O mais engraçado é que eles estão querendo mudar a situação. Como quem estivesse errado fosse o Marcelo Marreco. Deus livre desses vereadores de Divinópolis, eles têm que fiscalizar para ver se a fala é minha, se a fala é do Galileu, se a fala é do Geraldo Passos, fazer a CPI e pronto – desafia.  

Marcelo voltou a falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), possível motivação para a divulgação dos áudios. O ex-aliado do prefeito garantiu ainda que Galileu “entrou” com as empresas erradas para fazer as licitações do Programa do Governo Federal e que, por isso, o processo seria suspenso.  

— Se vocês ouvirem aí o áudio entre eu e o Galileu, vocês poderão ver que ele já entra falando do PAC em Divinópolis, e aí ele já entrou com as empresas erradas para poder fazer as licitações e [o processo] foi suspenso.  Que culpa eu tenho se o PAC vai ser paralisado por erros, por falcatruas, por tudo quanto há? — questiona.  

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