Eu acuso...!

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CXLVII

 

“EU ACUSO...!” (E. ZOLA)

 

Em 1894 o militar francês Alfred Dreyfus (1859 – 1935), judeu, foi vítima de um tribunal parcial que o processou, julgou-o e condenou-o por crime de alta traição (?). Foi condenado à prisão perpétua na temida ilha do Diabo (Guiana Francesa), tendo contra ele uma sentença repleta de falsidades e falsificações, demonstrando um dos primeiros casos de LAWFARE pelo estado moderno por antissemitismo.

Por conta desses júris-horror, o escritor Émile Zola (autor de Germinal, A Besta Humana etc.) escreveu o famoso texto “J’Accuse...!” (1898) publicado no jornal L’Aurore, no qual estruturou publicamente uma carta ao presidente francês da época, Félix Faure,  e deflagrou uma série de debates tensos e intensos sobre o “Caso Dreyfus”. Ele também publicou uma série de artigos sobre o episódio, todos reunidos sob o título “La Vérite en Marche”.

Aqui no Brasil são notórios, numerosos e persistentes os casos de interferências de forças estranhas ao direito no processo, muitas vezes vergonhosas, imorais e ilícitas. Caso grave recente pode ser constatado pelo conjunto probante conhecido por “Vaza – Jato”, além dos casos de nomeação de ministros e procuradores amigos para as cortes, sempre generosos na devida gratidão omissiva.

Corolariamente, algumas das frases de Zola em sua carta aberta também poderiam ser aplicadas em uma peça similar nacional, ainda que envolva a pessoa que ocupa a presidência e sua(s) famílias(s), fato que exigiria (e faria) um destinatário da representação como uma espécie de Tribunal Planetário. Assim, caberia ao juiz presidente desse Tribunal Planetário receber essa representação para dar provimento ou não, considerando-se as dificuldades regionais e locais que por aqui a embargariam.

Uma das frases copiadas de Zola para o texto seria aquela para dizer que “se apela para a justa glória do Tribunal” para interceder nas “vergonhas e indeléveis manchas” que se assentam sobre o país.

Além disso, seria importante esclarecer sobre a abominável corrupção que impera sob a presidência ilegítima e seu conjunto de ministros, gravames tanto maiores que anestesiam o sistema de saúde, sufocam a educação e matam covardemente o meio ambiente.

Por aqui a revolta dos “homens honestos” não pode passar da secura na garganta, sob pena das violências dos “homens de bem”, pluriarmados com bíblias, pistolas e caminhonetes.

Zola recusava a farsa, mas por aqui o fenômeno estranho da farsa instala pior e fere toda racionalidade. A farsa é que recusa e dita a realidade. Recusa tudo o que se apresenta como lucidez, recusa as instituições, recusa os tribunais, recusa o trabalho, recusa a verdade.

Senhor juiz do Tribunal Planetário: o Brasil está em um pesadelo que parece não ter fim, zumbis mesmo aos farrapos aclamam e idolatram seu próprio algoz e verdugo. Não interessa a carestia, a fome, a alta dos preços e de tudo, nem a corrupção sarcástica que não é nem mais sentida. Tudo podre. “É o horror, é o horror!”

 

 

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