Esvaziamento da Câmara

Preto no Branco

Uma das matérias de maior repercussão local na última semana foi escrita pelo Jornal Agora, pelas mãos de Bruno Bueno. A reportagem apontava para o desinteresse de parte dos vereadores em acompanhar os discursos dos colegas, se ausentando do Plenário. Na melhor das hipóteses, acompanhavam a reunião pelos alto-falantes e o eco dos corredores ou em seus gabinetes. Com isso, eles atrasam a votação de projetos enquanto retornavam para suas cadeiras e ligavam os tablets. O próprio presidente da Mesa Diretora, Eduardo Print Jr (PSDB), classificou a atitude como negativa.

Quebra-cabeça sem encaixe

Os parlamentares precisam ter consciência de que, apesar de terem sido eleitos individualmente, eles fazem parte de um conjunto. A política é uma construção coletiva, não pessoal. Alguns discursos não apenas soam repetitivos, eles são ‒ justamente pela desconexidade entre determinados vereadores, que não ouvem o pronunciamento de seus colegas. Se é de interesse público, os vereadores não precisam se limitar a fazer comentários isolados em suas redes sociais, mas devem propor ações conjuntas, desenvolvidas coletivamente, fortalecendo a cobrança. Par não é só para dançar. Quantas vezes vimos os 17 vereadores juntos para além da foto de posse? 

Faltam representantes?

Independentemente das diferenças políticas existentes entre cada um dos 17 parlamentares, questões unânimes podem se beneficiar de resoluções conjuntas, e não isoladas. Divinópolis tem apenas um representante nas esferas federal e estadual, Domingos Sávio (PSDB) e Cleitinho Azevedo (CDN), respectivamente. O que será da cidade se os próprios vereadores não formarem uma unidade sólida em prol de projetos e demandas de interesse da cidade? Ninguém precisa ser eleito para brigar e incentivar ataques pessoais, isso pode ser feito em qualquer espaço. A partir do momento que são eleitos, devem agir como tais. A Câmara é um espaço criado para discutir política, não personalidades e egos.

Passado que parece presente

O Jornal Agora iniciou, na última semana, publicações semanais em retrospectiva aos seus 50 anos de história, com matérias e capas de anos anteriores. As postagens ocorrem sempre às quintas-feiras. Ao observar os arquivos, espanta-se ao perceber não quantas mudanças ocorreram desde as primeiras páginas impressas, mas quantas não mudaram, especialmente na última década. As manchetes se repetem, não pela falta de criatividade de quem as escreveu, mas pela falta de criatividade dos responsáveis em solucionar os problemas. 

Muitos inícios para poucos fins

Denúncias sobre a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o descumprimento de prazos previstos para a entrega da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), cobranças à Copasa, falta de consenso entre servidores e Executivo, a suspensão de voos comerciais no aeroporto, a espera pelo Hospital Regional… Esses e outros temas, de tempos em tempos, se repetem. Não esperamos soluções mágicas, do dia para noite. Queremos apenas o básico, que as situações caminhem conforme planejado, com início, meio e fim. Cabe aos poderes reforçar a fiscalização. A vigilância não significa apenas denunciar quando encontradas irregularidades, ela serve justamente, por meio do acompanhamento, como forma de evitar que os erros se concretizem e, pior, se tornem constantes.

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