Estudantes relatam insegurança para segunda etapa do Enem

Devido à situação da covid na cidade, muitos cogitam não participar da aplicação; fim de semana foi marcado por aglomerações

Bruno Bueno

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve sua primeira etapa no último domingo, 17. Em Divinópolis, a aplicação foi marcada por aglomerações nas entradas das escolas. Por conta das falhas e números altos da pandemia na cidade, muitos estudantes estão inseguros em participar das provas no próximo fim de semana.

Aglomerações

O primeiro dia de exame registrou aglomerações nos locais de exame. Na faculdade Pitágoras, no bairro Manoel Valinhas, estudantes registraram dificuldades para entrar no espaço em que iam fazer as provas. Com falhas na hora de cumprir os protocolos, grandes filas foram criadas na entrada.

A estudante Ana Clara Campos relatou a situação à reportagem.

— Na saída também não souberam organizar muito bem. Tinha muita gente aglomerada na porta, sem máscara e sem distanciamento social. Se for desse jeito semana que vem, prefiro nem fazer — explicou.

Insegurança

O cenário atual da pandemia na cidade também não motiva os estudantes a realizarem a segunda fase. Apesar de a vacinação ter começado no município, novos casos e mortes são registrados diariamente, o que tem preocupado os alunos.

Caio Vitor, estudante de 18 anos, comentou sobre a insegurança.

— Foi difícil focar só nas provas no primeiro dia. O medo de pegar esse vírus atrapalha a gente a fazer o exame direito. Nesse estado que a cidade está, nem se fala. Talvez eu nem faça as provas do segundo dia — comentou Caio.

Recorde

No cenário nacional, o Enem registrou no primeiro dia um recorde negativo e histórico. Segundo informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), instituição responsável pela aplicação, a prova deste ano teve o maior número de abstenções da história. Cerca de 51,5% das pessoas inscritas não compareceram ao exame no primeiro dia, número que representa 2,8 milhões de candidatos. 

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, justificou a ausência significativa dizendo que os estudantes tiveram medo de se contaminarem nas provas. Ele complementou afirmando que a mídia ‒ que em sua opinião foi contrária ao exame ‒ também teve culpa.

A aplicação do exame ocorreu mesmo com os pedidos ‒ por estudantes, professores e entidades, incluindo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ‒ de adiamento das provas. Uma das solicitações partiu da Defensoria Pública da União (DPU), que foi negada. O órgão voltou a pedir, nesta segunda-feira, 18, a alteração da data do segundo dia do exame.

Provas

Quem vencer a insegurança em realizar o exame fará as provas de ciência da natureza e matemática, que finalizam a aplicação do Enem 2020.

Luana Rodrigues, estudante de 19 anos, falou sobre a expectativa da segunda rodada de provas.

— O primeiro dia é sempre mais difícil do que o segundo, principalmente por conta da ansiedade. Mas, neste ano, tem algo a mais, por conta da pandemia. É complicado ter que se arriscar a pegar o vírus, mas não tem outro jeito. Espero que meu único problema em fazer o exame neste domingo seja a prova de matemática — explica.

 

 

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