Batendo Bola

 

José Carlos de Oliveira

 jcqueroviver@hotmail.com.br

 Que o futebol brasileiro está nivelado por baixo, isso todos sabemos, mas ninguém tem coragem de admitir e o pior, nada faz para mudar o quadro. Antes, celeiro de dezenas de craques, há décadas o Brasil deixou de mostrar ao mundo seu talento e muitos são os motivos que levaram o País a esta decadência.

E não é porque os brasileiros deixaram de ter a melhor técnica do mundo, não. É simplesmente porque roubaram de nossos jovens atletas o seu melhor - a iniciativa, a arte do improviso, o desejo do drible -, para transformá-los em robôs, que só fazem aquilo a que são mandados pelos seus comandantes.

 Físico

 Hoje, as crianças e os jovens são aprovados nas escolinhas de futebol (e categorias de base dos grandes clubes) pelo seu porte físico, e não por aquilo que são capazes de fazer com uma bola nos pés. Tamanho passou a ser mais importante que a inteligência, e o resultado é ‘este futebol de time pequeno’, que somos obrigados a ver todos os dias nos campos de futebol pelo país afora.

 Amarrado

 De um futebol que encantava o mundo pelos seus lances de pura técnica, o Brasil deixou de lado a inteligência para focar suas atenções na parte tática dos jogos. E para piorar ainda mais as coisas, os ‘treinadores’ preferem apenas se defender, em vez escalar seu time no ataque, para buscar o resultado.

Não perder é mais importante que vencer, e o resultado é este show de horrores que vemos hoje: um futebol amarrado, sem brilho, que se dependesse de muitos times não sairia nunca do 0 a 0. O medo de perder tirou a vontade de vencer, esta é a verdade.

 Culpa

 E não adianta apontar o dedo para um lado ou outro lado, porque no frigir dos ovos todos temos alguma culpa no cartório. O futebol brasileiro só deixou de ser o que sempre foi, de encantar o mundo, porque nós mesmos deixamos de acreditar na nossa força e potencial. O importante hoje é o resultado final, nem que para isso tenhamos que abrir mão de quem realmente somos.

 Cobrança

 E tudo começa no meio da própria torcida. A cobrança exagerada inibe os jovens em campo, e à primeira vaia o jogador já não tem a tranquilidade necessária para tentar a jogada, fazer o que aprendeu desde pequeno. Prefere jogar o simples, se livrando da bola como se esta queimasse seus pés. Aí fica este joguinho de empurra, de toques para os lados, como se cada time tivesse medo do outro.

 Brucutus

 E do lado dos treinadores esta também é a maior verdade. Muitos preferem determinados jogadores, pelo seu porte atlético, em detrimento de muitos outros, mais habilidosos com a bola nos pés, mas franzinos. Tamanho é, sim, documento na base, e o ‘brucutu’ sempre terá mais espaço em muitos clubes.

 Que falta fazem os campinhos de terra?

 Mas tem também o outro lado da história: a falta que fazem hoje os antigos ‘campinhos de pelada’, o futebol de várzea jogado em campo de terra e cheio de buracos. E com bolas de pano, vazias, rasgadas, mas que faziam a alegria da criançada e moldavam os grandes jogadores.

E este é um detalhe que ninguém pode negar, acabou faz tempo. Os campinhos de bairro, o futebol de rua, foram banidos do País e hoje se uma criança quer brincar com uma bola tem que estar em jogando alguma escolinha, das muitas que proliferam em todas as cidades do Brasil.

 Prefeituras

 E nisso, muitas prefeituras têm, sim, culpa no cartório. Os políticos liberam loteamentos aos montes, sem se preocupar com o bem-estar da população, das crianças. Separar um espaço para praças, campos de futebol, nem pensar. Isto não está nos projetos e nem nos custos dos executivos e dos empresários.

Lucrar milhões com os lotes é a única coisa que importa. O futuro das crianças não interessa aos políticos. Isso fica para depois, e os pais que se virem para cuidar de seus filhos, porque o País não está nem aí para eles.

 Divinópolis

 E que o prefeito Galileu Machado atente bem para esta verdade, porque Divinópolis está entre as piores cidades do Brasil quando se trata de oferecer espaços para o lazer e as brincadeiras de bola de suas crianças.

Acorde, prefeito, ainda há tempo para reescrever esta história.

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