Estado apura abandono de carros da saúde

Da Redação

 O Governo do Estado vai investigar o abandono de cerca de 300 carros novos, que seriam destinados à área da saúde de Minas Gerais. Alguns veículos pertencem à Secretaria de Estado de Saúde (SES), e, entre os abandonados, estão ambulâncias que seriam destinadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os veículos foram comprados na gestão de Fernando Pimentel (PT), estão em cinco garagens em Belo Horizonte, e seriam destinados às prefeituras de Minas.

A situação veio à tona após o deputado estadual Cleitinho Azevedo (PPS) gravar um vídeo e postar em suas redes sociais. Nas gravações o parlamentar denuncia os carros que estão no bairro Cachoeirinha. Ao todo, 87 micro-ônibus 0 km estão parados, apenas juntando poeira. Em um segundo pátio, no bairro Gameleira, 19 veículos estão abandonados, entre eles 12 ambulâncias pequenas, uma picape e seis veículos de passeio. Todos os veículos foram encontrados pelo deputado ainda com plástico no banco, sem placas, e expostos ao sol e à chuva.

— Isso é um mau uso do dinheiro público. Com o vídeo, a gente mostra para a população o que um requerimento não consegue mostrar – afirma.

Segundo o assessor estratégico da SES, Bernardo Ramos, em outro galpão há 59 caminhonetes Mitsubishi L200 compradas para atender às equipes de combate à dengue. Ainda conforme informou Ramos, não há um valor certo de quanto o Executivo gastou na compra dos veículos, porém estima-se que seja em torno de R$ 6 milhões.

Investigação

Ainda de acordo com o assessor estratégico, a investigação foi instaurada após vários prefeitos e consórcios da saúde procurarem o Governo do Estado no dia 3 de janeiro, e reivindicarem os veículos prometidos pela gestão passada. Segundo Ramos, a Subsecretaria de Inovação e Logística em Saúde está em fase final de apuração do processo de compra, liquidação e entrega. Ainda conforme esclareceu o assessor estratégico, a Subsecretaria analisará ainda se os critérios de distribuição foram técnicos. Caso tenham sido, eles serão mantidos, e os carros enviados para as prefeituras.

— Queremos resolver isso o quanto antes, porque o governo não tem nenhuma intenção de ficar com esses veículos na garagem, gerando custo de manutenção, enquanto eles deveriam estar com quem precisa — destaca.

Justificativa

Segundo o ex-secretário de saúde, Nalton Moreira, que esteve à frente da pasta de fevereiro a dezembro do ano passado, a situação dos veículos se deve a um atraso por parte das montadoras. De acordo com Nalton, os micro-ônibus se foram comprados antes das eleições, porém, quando foram entregues com o protótipo, as dimensões estavam menores do que especificavam as licitações.

— Aí foram produzir nas normas corretas, o que demorou, e foram entregar só no fim de novembro e início de dezembro – explica.

Conforme informou o ex-secretário de saúde, alguns micro-ônibus foram entregues, mas, para outros não houve tempo.

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