Estado aguarda liberação de recursos da Vale para abrir leitos no Hospital Regional

Desbloqueio depende de aprovação na Assembleia Legislativa; projeto ainda passará por detalhamento e análise de viabilidade técnica e financeira

Bruno Bueno

A situação caótica da pandemia de covid-19 preocupa diariamente os divinopolitanos. Com a superlotação de leitos, aumento de casos e mortes diárias, muitos buscam soluções para amenizar o problema. Uma iniciativa que poderia diminuir a imensa ocupação das vagas de UTI e enfermaria para pacientes com covid é a abertura de novos leitos em um hospital de campanha dentro do Hospital Regional, que jamais foi utilizado desde o início de suas obras, em 2010.

Nas últimas semanas, vários representantes políticos prometeram a abertura de 60 novos leitos no Hospital Público, porém, até agora, a esperança não saiu do papel.

No começo desta semana, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) afirmou, em entrevista ao Agora, que a Prefeitura já realizou todos os procedimentos para abrir o Hospital Regional e que agora os próximos andamentos dependem do Estado.

— O que a Prefeitura tinha que fazer para abrir o Hospital Regional, já fez. Estamos dependendo do estado. Eu, meu irmão Cleitinho Azevedo (CDN), deputado estadual, e o secretário Alan Rodrigo já cobramos diversas vezes uma posição do governo. Agora é esperar o estado contratar o CIS-URG para que o centro de saúde possa ser utilizado — afirmou.

A reportagem questionou a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), por meio da Superintendência Regional (SRS), a respeito da abertura do Hospital. Através de nota, o Governo respondeu que aguarda a liberação dos recursos financeiros da Vale, empresa que foi obrigada a pagar R$37 bilhões para o Estado por ter sido considerada responsável pela tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019.

— Estão previstos nas medidas de reparação do termo assinado com a Vale, investimentos para conclusão das obras e equipagem dos hospitais regionais. A aplicação dos recursos do Termo de Medidas de Reparação destinados a projetos executados pelo Estado depende ainda de aprovação do projeto de lei 2.508/2021, em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais — disse em nota divulgada.

Na mesma nota, o Estado afirmou que, após a liberação dos recursos, o projeto ainda passará por outros processos até que seja liberada a instalação dos novos leitos.

— Haverá um processo de detalhamento (definição de escopo, valor estimado, cronograma e resultados esperados) e, em seguida, por análise de viabilidade técnica e financeira, que envolve a avaliação de aspectos como regularizações contratuais, fundiárias, de projetos de engenharia, quando cabível. Tudo será devidamente publicado — informou.

Entenda o processo

No começo do mês passado, o governador Romeu Zema (Novo) reafirmou o compromisso de concluir as obras do Hospital Regional, utilizando o dinheiro do acordo judicial da Vale.

Pouco depois, no dia 22, sinalizou um repasse em torno de R$ 3,6 milhões para viabilizar as obras de adequação, para abertura de leitos de hospital de campanha na estrutura do Hospital Regional de Divinópolis. O intuito era fazer a abertura de 60 leitos exclusivos para tratamento da covid-19, sendo 40 de enfermaria e 20 de UTI.

Segundo o secretário de Saúde de Divinópolis, Alan Rodrigo, a expectativa era que o Hospital de Campanha fosse entregue em até 30 dias após a assinatura do convênio. Além do recurso para a finalização da obra, o Governo de Minas também prometeu um repasse mensal de aproximadamente R$ 950 mil para custeio dos leitos.

Aprovou

No dia 25, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência (CIS-URG) foi aprovado como administrador do Hospital Regional.

— Estamos trabalhando intensamente na junção dos documentos pedidos pelo Estado para envio o mais rápido possível e após a assinatura do convênio, o prazo previsto de início do funcionamento do hospital de campanha é de aproximadamente 30 dias — disse José Márcio Zanardi, Secretário Executivo, à época.

Aguardando

Após a aprovação, havia a expectativa de que o Hospital Regional funcionaria o mais rápido possível, porém, isto não aconteceu. Na semana passada, o Agora questionou o CIS-URG Oeste sobre o andamento para a assinatura do convênio, visto que o secretário municipal de Saúde afirmou, em entrevista no último dia 4, que as obras começariam no dia seguinte, o que não aconteceu.

O Executivo do CIS-URG, José Marcio, afirmou que a documentação estava aguardando nova análise técnica. Ele também disse que o Consórcio estava trabalhando em outras frentes, enquanto aguardava a assinatura do convênio por meio do Estado.

— Enquanto isso, estamos trabalhando em outras frentes, tais como banco de dados de profissionais, organização para aquisição e locação de equipamentos, dimensionando necessidades de insumos e medicamentos, fornecimento de gases – detalhou à época.

 

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