Está só começando

Editorial 

A cada dois anos, os brasileiros recebem em suas casas as propostas dos candidatos das eleições. Seja batendo em sua porta, pelos veículos de comunicação ou, agora, pelas redes sociais, os projetos chegam. E aí, a cada dois anos, vencem aqueles que fazem o melhor trabalho (ou não). E, a cada pleito, o número de candidatos só aumenta, o que torna a disputa mais acirrada, e em alguns casos mais suja. Em Divinópolis, 331 candidatos à Câmara disputam as 17 cadeiras do Poder Legislativo e, para consegui-las vale tudo, mas tudo mesmo. Fazer promessas que nunca serão cumpridas, jogar esgoto no carro da Prefeitura, soltar notícias falsas, diminuir o outro candidato, até mesmo movimentar o Judiciário e o Ministério Público, sem nenhuma necessidade. É como dizem por aí: entra ano e sai ano e o jogo é o mesmo, mudam apenas os personagens e as estratégias. Mas vale de tudo para conseguir – ou permanecer – no poder. 

Os candidatos divinopolitanos chamam a atenção justamente por fazerem de tudo para aparecer. Tem os que caíram de paraquedas. Porém, em um ponto, todos vão concordar: Divinópolis é o paraíso das promessas, pois o que o município mais tem são problemas para serem resolvidos. Estamos diante dos discursos de “mendigo e de renovação”, que é basicamente este: “me dá uma oportunidade de mostrar que eu sou capaz e que eu vou renovar a cidade”. Como se tudo fosse resolvido em um passe de mágica. Outros trabalham apenas em cima das falhas do atual prefeito e não dão conta de apresentar propostas. Já outros trabalham à base do terrorismo: “oh, se não for a gente, a coisa vai ficar pior do que está”. E tem aqueles também que ficam em cima do concorrente, em busca de uma falha qualquer, para movimentar o Judiciário com ações que beiram ao ridículo. 

Em meio a tudo isso está o eleitor. E engana-se quem pensa que o eleitorado está em primeiro lugar neste jogo e que os candidatos estão apenas levando suas propostas ao eleitorado. Basta ter um olhar um pouco mais frio para ver que o único interesse dos candidatos neste momento é agradar o eleitor para conquistar seus votos. Até o dia 15 de novembro, a conversa vai ser uma. Dia 1º de janeiro de 2021, logo após a posse, a conversa vai ser outra. Tudo se repetirá, assim como é feito desde 1989. Após a busca pelos votos, as promessas, os discursos, os vídeos, no fim de tudo, o nariz de palhaço estará nos eleitores. Cada um, tanto candidatos quanto eleitores, está cumprindo o seu papel perfeitamente. É triste, mas é real. Enquanto o eleitorado se deixar levar pelo espetáculo, o ciclo se repete e a cidade permanecerá a mesma. 

O jogo começou no dia 3 de julho, faltam 30 dias para terminar, e não há indicativos de que o debate está melhor, de que a disputa tem qualidade, muito pelo contrário, tudo está como em 1989. Talvez, a única diferença seja o aumento no número de pessoas na disputa pelo poder. Ao eleitor resta agora “apertar os cintos” e segurar, pois a tendência é piorar, e o espetáculo está só começando. Tem mais “vale-tudo” pela frente.

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