Essa lição vale bem um queijo...

Prof. Antônio de Oliveira

Corremos o risco de interpretar como amigos aqueles que nos bajulam. Em latim, bajulare significa “carregar às costas”. Em português, bajular quer dizer lisonjear, adular servilmente; sorrabar, sabujar; incensar, puxar o saco, beijar os pés de pessoas poderosas, famosas, ou ilustres, esperando obter favores e status. Lisonjear os chefes, alimentando neles a vaidade. Estar sempre, oportunisticamente, do lado de quem esteja vencendo. Ou a bajular o professor Raimundo, da Escolinha, com segundas intenções.

Sutilezas linguísticas à parte, aparentemente quem lisonjeia é amigo.

No entanto, amizade assim qualificada nem sempre é amizade.

Costuma, sim, ser lisonja, procedimento típico de bajuladores. Há pessoas que sentem massageado o seu ego quando incensadas pela mídia, fãs e seguidores.

Na moral da fábula “O Corvo e a Raposa”, La Fontaine aconselha:

“Meu bom senhor, 

Aprendei que todo bajulador 

vive à custa daquele que o escuta. 

Essa lição vale bem um queijo, sem dúvida”.

Esse viés talvez seja mais importante, não em si, mas porque é a caixa-preta da amizade, sua pedra de toque, semelhante a uma pedra dura e escura empregada pelos joalheiros.

“O verdadeiro amigo é aquele que suporta o teu sucesso.” Não lhe puxa o tapete. Nem tripudia sobre o amigo por eventual insucesso. Na visão de Tom Jobim, no Brasil, o sucesso é um “insulto pessoal”. Amigos de verdade sempre compartilham.

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