Esporte da cidade também sente os efeitos da quarentena pela covid-19

José Carlos de Oliveira

A pandemia da covid-19, que assola o mundo nesta primeira metade de 2020, afeta a todos os setores da sociedade. No Brasil, onde o futebol ainda é a maior paixão de seu povo, clubes profissionais e times amadores vivem tempos de incerteza e muitos podem ter seu futuro decidido nas próximas semanas ou mesmo meses, a depender de quando voltarem às atividades.

E não há como deixar de lado esta realidade. Enquanto a maioria da população e das autoridades têm os olhos voltados para os cuidados com a saúde e os efeitos que o vírus pode trazer às pessoas, com doença e mortes, também os outros lados, o esportivo e o econômico, são afetados e muito com a paralisação total. 

Caminhando para a falência

Nos grandes e pequenos clubes de futebol espalhados pelo território nacional, a preocupação é imensa. Todos, cada um com suas dificuldades, já se preparam para tempos difíceis pós-pandemia, e não será nenhuma surpresa se muitos decretarem falência ou mesmo encerrarem suas atividades. 

Esta é uma realidade que deve fazer parte da discussão nestes tempos de crise. Mesmo porque não há como se falar em saúde se o esporte não for colocado na mesa de negociação, porque é na prática esportiva que se busca uma melhor qualidade de vida. 

A cidade

Em Divinópolis, a situação não é diferente, e todos vêm encontrando dificuldades com a suspensão das atividades esportivas. Desde o único time profissional da cidade, o Guarani, a equipes amadoras, projetos e clubes sociais, todos, sem exceção, sofrem com esta paralisação e, principalmente, com a incerteza sobre o futuro.

Guarani

No Bugre do Porto Velho, a diretoria está em compasso de espera para definir o que fará do futuro. Até mesmo as eleições no clube tiveram que ser adiadas para o segundo semestre.

Se a preocupação com a saúde de profissionais, as crianças da escolinha, os jogadores e os torcedores eram a maior dor de cabeça para o presidente Vinicius Morais, agora também a retomada dos trabalhos pós-pandemia e o complemento do calendário estão à mesa de discussão.

No futebol profissional, contratos de atletas tiveram que ser rediscutidos e o dirigente não tem nem a certeza se todos os jogadores inscritos para o estadual estarão na cidade para a retomada dos jogos do Campeonato Mineiro, em seu Módulo II. Reuniões estão sendo feitas com autoridades para encontrar um caminho para este impasse.

Se em 2018, nesta época do ano, a cidade e a torcida bugrina estavam em festa, comemorando o tricampeonato estadual e o acesso à elite do futebol mineiro, agora só sobram dúvidas, com ninguém sabendo o que acontecerá com o time quando a bola voltar a rolar.

Ferroviário

Atletas amadores, clubes sociais e projetos da cidade também sofrem com estes tempos de quarentena, com suas portas fechadas para o esporte. Além de mudanças no seu dia a dia, muitos encontram dificuldades até para encontrar meios de subsistência, para honrar com seus compromissos. 

Nos clubes socais, todas as atividades esportivas seguem suspensas e suas diretorias buscam alternativas para atender a seus sócios, mudando a rotina de treinos e propiciando momentos de lazer, mas sempre com segurança para todos. 

No Ferroviário Atlético Clube, o alviverde do bairro Esplanada, que há bem pouco tempo retomou com grandes dificuldades suas atividades – com a volta de seu time de futebol amador e a criação da escolinha de futebol, e que com seu projeto social tem levado esperança a muitas crianças e jovens de várias regiões carentes da cidade, adolescentes que ainda sonham em um dia serem jogadores de futebol – a história é a mesma. 

E o idealizador de todo este sonho, Jean Carlos Ferreira (Dunga), não sabe nem como será a volta das atividades e como tudo caminhará quando as autoridades permitirem a reabertura dos treinos e jogos no estádio Benjamin de Oliveira.

— Hoje atendemos no Projeto do FAC a mais de 100  crianças e adolescentes, de várias regiões da cidade, e com a suspensão tudo por aqui está parado, com os atletas em suas casas e o campo fechado para as atividades esportivas. A esperança é que a pandemia passe e que possamos, com segurança, retomar as atividades — desabafa.

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