Especialista orienta sobre prevenção de suicídio

Conversa franca, escuta e diagnóstico correto de depressão são defendidos em debate na ALMG

 

Enquanto países desenvolvidos conseguiram reduzir em até 20% a mortalidade por suicídio nos últimos dez anos, por meio de campanhas de prevenção, no Brasil os casos aumentaram em 20% no mesmo período. Este cenário pode ser ainda mais grave porque haveria uma subnotificação de casos no País, estimada em 40%, conforme alertou ontem, o psiquiatra Humberto Correa da Silva Filho.

Ele foi um dos palestrantes do Debate Público Suicídio: Como Prevenir, realizado pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dentro da campanha Setembro Amarelo.

Para reverter esse quadro, Humberto Filho e demais convidados ressaltaram a importância de campanhas de conscientização, de saber escutar o outro e de profissionais de saúde serem capacitados para lidar com o assunto.

— No Brasil o suicídio ainda é tratado com tabu, como um estigma ou uma vergonha que se tem que esconder. Por isso não temos uma campanha pública de prevenção até hoje, mesmo sendo um problema de saúde pública — afirmou o especialista, que é vice-presidente da Associação Mineira de Psiquiatria e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para o psiquiatra, é preciso que a sociedade entenda que 100% dos suicídios envolvem uma doença mental e que, portanto, não ocorre por vontade própria, para chamar atenção ou por fraqueza, como ainda preconizaria o senso comum.

— Hoje, morre-se mais por suicídio do que por HIV, mas há uma desproporção no que se investe, se ensina e se fala de um e outro”, exemplificou Humberto Filho, ao defender que a prevenção do suicídio entre de fato na agenda do País, com investimentos em pesquisas, formação de profissionais para lidar com a questão e campanhas de conscientização.

Exemplos

Apesar do quadro que expôs, o especialista apontou como positivas no Brasil iniciativas como a campanha Setembro Amarelo, que vem sendo realizada nos últimos três anos, e trouxe ao debate ações de sucesso em outros países, sobretudo aquelas que atuaram para restringir o acesso a métodos letais mais usados para o suicídio

Prevenir casos

O deputado Antônio Jorge (PPS), que solicitou o debate, frisou que o suicídio é a terceira causa de morte evitável no mundo, como também mostrou estudo feito em Minas.

— Não existe depressivo que não pense na morte, mas não há um protocolo sobre essa investigação do risco. É nosso papel repensar isso e ter a coragem de falar de morte — defendeu o parlamentar.

Sobre o papel da mídia na questão, o jornalista Carlos Viana afirmou que, ao contrário do que se fala, não há restrição legal a que a imprensa aborde o suicídio, e sim uma cultura que ainda trata o assunto como algo individual ou restrito ao âmbito da família. (Com informações da ALMG)

 

 

 

 

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