Especial: Pai supera vício em drogas e reconquista família e amor do filho

Da casinha de cachorro para a direção do projeto ‘Quero Viver’

José Carlos de Oliveira 

O núcleo de recuperação para dependentes químicos de álcool e outras drogas “Quero Viver” tem como lema principal investir vidas em outras vidas. Antes de recuperar o viciado em álcool e drogas, tudo é feito na clínica para buscar a reestruturação da família, a única força capaz de manter um dependente completamente limpo.

Em quase três décadas de trabalho com dependentes químicos, pastor Wilson Fernandes Botelho sempre procurou olhar para o lado familiar, ajudando não só ao dependente a se livrar das drogas, mas principalmente a reconquistar o amor e o carinho de seus familiares.

A história do “Quero Viver”, nestes 27 anos de vida, se confunde com a de inúmeras famílias que foram refeitas graças ao trabalho que é realizado por pastores evangélicos, obreiros e voluntários que ajudam a levar palavras de vida e esperança aos dependentes.

 Reconquistando o amor próprio 

São tantas as famílias que foram reestruturadas, que seria difícil escolher uma para exemplificar o que é realizado no “Quero Viver”, onde todas as tarefas, ministrações e ensinamentos são voltados à valorização do homem e do lar.

Mas hoje, perto do Dia dos Pais, vamos escrever de um ex-dependente em particular. Um homem que saiu da casinha de cachorro onde vivia e dormia para morar na fazenda da comunidade de Branquinhos, sede principal do projeto “Quero Viver” 1. Seu nome é Paulo Batista, hoje diretor do núcleo de recuperação para dependentes químicos.

Antes de conhecer o projeto, Paulo morava com a mulher, Zenaide, e o filho, Gustavo, na cidade de Teixeira de Freitas, na Bahia. Dependente químico viciado em cocaína, ele perdeu o amor próprio e o carinho do filho e da esposa.

A situação chegou ao extremo que, já tendo que dormir na rua e na casinha do cachorro, por não ter mais lar, Paulo via chegar o fim dos seus dias. Seu filho, ainda criança, perguntado na escola pelo pai, fazia questão de dizer que não tinha pai.

Foi quando sua família recebeu em Teixeira de Freitas a visita de um amigo, residente em Itaúna. Vendo a situação deprimente de Paulo, esse amigo indicou o caminho que iria mudar a história.

— Eu não conheço, mas ouvi falar de um lugar que acolhe dependentes químicos e lhes ajuda a se livrar do vício. Nunca fui lá, mas sei de pessoas que se recuperaram depois que foram para lá. Foi o conselho — convidou.

Foi aí que Paulo começou a reescrever sua história. Levado pela irmã para a clínica nos Branquinhos, no fim do ano de 2010, ele chegou ali de chinelo de dedo, mas com a humildade para entender e receber as lições que ali eram passadas. Foi o começo da mudança de vida.

 Refazendo a família 

Como aluno interno do “Quero Viver”, a princípio Paulo nem queria saber da família (e nem ela dele). Até que se passaram dois meses e ocorreu o primeiro contato com a esposa Zenaide e o filho Gustavo, ainda pelo telefone. Daí a reconquistar o amor dos seus foi apenas um passo.

Pouco tempo depois, já não como aluno, mas como um dos obreiros do Projeto, Paulo decidiu visitar a família em Teixeira de Freitas. Aí estava dando mais um passo para toda a transformação.

E mais uma vez, o pastor Wilson Botelho entrou em cena para ajudar a reescrever sua história. Seguindo o conselho do líder, Paulo trouxe a família para morar em Divinópolis.

De forma tímida, a princípio, eles se instalaram em uma das casas na fazenda dos Branquinhos e começaram novamente a se conhecer. Mas nem mesmo eles esperavam que a transformação atingisse a proporção que é a realidade de hoje.

Poderia escrever aqui um livro, que seria impossível descrever com detalhes tudo que aconteceu dali em diante. Morando juntos no projeto, eles eram novamente uma família.

Hoje, Paulo Batista é o diretor do “Quero Viver 1” e junto com a família busca escrever novas histórias nas vidas daqueles que ali se encontram para mudar de vida e se livrar da dependência química. Seu exemplo é uma força que faz com que muitos acreditem que tudo é possível.

O menino, o filho Gustavo, o rapaz que dizia não ter pai, se transformou num homem e morando ainda na fazenda dos Branquinhos com os pais, está se formando em Engenharia Civil na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e é um dos líderes da banda evangélica “Exalt”, que leva as palavras e o amor de Cristo a todos os cantos do Brasil.

 

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