Especial: Exemplo para o Brasil

 

Ricardo Welbert  

Em tempos de crise no transporte rodoviário, o Brasil amarga as consequências de não ter investido alto em ferrovias — alternativa responsável pelo desenvolvimento econômico de potências como Estados Unidos, China, Rússia, Canadá e Índia. Apesar do pouco investimento nacional, Divinópolis cresceu em volta dos trilhos instalados ao fim do século 19, quando o lugar ainda era o Arraial do Divino Espírito Santo.  

Com cada vez mais gente vindo trabalhar no setor, a população cresceu e, em 1912, a vila foi elevada a município. Uma oficina para consertos de trilhos e trens foi instalada em 1916 e hoje ela é a maior da América Latina. 

Até a década de 1970, a cidade ainda era predominantemente rural. A expansão do serviço ferroviário atraiu mão de obra externa e impulsionou outros segmentos econômicos, como saúde, construção civil e confecções.  

A empresa Valor da Logística Integrada (VLI), atual operadora do sistema férreo local, gera mil empregos diretos na operação ferroviária e na oficina. 

Em 2017, a companhia cumpriu uma meta de expansão que demandou investimentos de R$ 9 bilhões. O capital foi aplicado na construção de terminais intermodais de transbordo de carga, ampliação da atuação portuária da companhia, aquisição de locomotivas e vagões e na modernização das linhas férreas. 

— A integração entre os modais permite aumentar a produtividade em corredores logísticos que transportam as riquezas do país nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste — explica o diretor de operações Rodrigo Ruggiero. 

 Trilhos em páginas  

Autor do livro “Divinópolis, uma ferrovia e cem anos de empreendedorismo”, José Elísio Batista explica que a ferrovia provocou grande fluxo de mercadorias ao mesmo tempo em que passou a ser uma grande consumidora de produtos e serviços da região. Com a acumulação de capitais no comércio e na agropecuária, alavancou o surgimento e o crescimento da indústria no período entre 1920 e 1970. 

— O início da ferrovia, passando pelo comércio, pelos serviços e pela indústria, marcou a atuação dos grandes ícones da nossa economia local, inclusive pela vinda de imigrantes italianos — narra José Elísio. 

 Presente e futuro  

A atual composição societária da VLI, criada em 2010 para reunir todos os ativos de carga geral da Vale, assumiu compromissos com o governo federal quanto a metas de transportes de cargas gerais. Isso poderá, a longo prazo, colocar Divinópolis no centro da logística brasileira, permitindo a ligação ferroviária com os portos de Itaguaí (RJ), criando o maior terminal de integração na Região Metropolitana e no Centro-Oeste. Atualmente as cargas que passam por Divinópolis têm como destino o Porto de Tubarão, em Vitória (ES). 

Ainda segundo Rodrigo Ruggiero, a empresa se estrutura em cinco grandes corredores: Centro-Norte, Centro-Sudeste, Centro-Leste, Minas-Rio e Minas-Bahia. O objetivo é garantir capilaridade e interiorização, alcançando regiões com alto potencial de expansão em commodities, produção agrícola e mineral, produtos industrializados e siderúrgicos.  

— Não só a oficina, mas toda a cidade de Divinópolis tem grande importância na história da ferrovia, pois ambos se desenvolveram juntos, em uma relação de parceria não só baseada nos negócios, mas também no laço próximo que mantemos com a comunidade — diz Rodrigo.  

A oficina de Divinópolis tem capacidade e expertise técnica para atender qualquer ativo que circula pelos 7,2 mil quilômetros de linhas e faz testes em novas tecnologias desenvolvidas para o setor e se tornou referência na qualificação de profissionais com o Centro de Especialização e Desenvolvimento.  

 

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